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Um olhar em redor

Tento reflectir sobre a aridez, ou esterilidade, deste Governo. É um deserto, em suma, pese embora a teimosia inflamada do primeiro-ministro, ao anunciar as medidas que proporcionarão ao nosso país um futuro risonho, mas a seu tempo, claro, quando se verifica que os sacrifícios impostos aos mais necessitados, aos que pior vivem, pois são estes os que suportam sempre o maior peso da factura resultante dos desmandos, ou incompetência daqueles que nos governam, quando se verifica, dizia, que essas provações não apenas se agravam como resultam em vão!

Joaquim Serafim Rodrigues
10 Ago 2013

Quanto ao deserto a que aludi, tinha em mente o deserto de ideias exuberantemente demonstrado por todos e cada um dos diversos membros do executivo, só comparável ao de Gobi, entre a Sibéria e a Manchúria.
E como poderia deixar de ser assim, se não se vislumbram alternativas? A ideologia de esquerda falhou e a velha direita foi-se desintegrando de si, acabando por conluír-se com o PSD – mas agora com esta diferença: graças aos malabarismos de Paulo Portas este, irrevogavelmente regressado ao poder (chegou a sair?), é agora ministro de Estado e vice-primeiro-ministro, voltando as costas repentinamente aos Negócios Estrangeiros para superintender, ao que parece, em assuntos de Economia. Nem mais.
Voltando aos partidos, a extrema-esquerda sonha com a Lua, mas vai-se contentando com a rua e a extrema-direita nunca existiu. Quanto ao PCP, empedernido, petrificado, lá vai entoando sempre que pode a sua costumada cassete.
O Presidente da República, ao ver a crise agudizar-se, apelou a um entendimento patriótico entre os líderes do chamado arco da governação. Tal apelo deu no que deu. Que fez então? Reforçou com o seu aval a coligação no poder, presidindo àquela mudança de cadeiras, quero dizer, ao acto de posse dos novos ministros e respectivos secretários de Estado que, tal como num passe de mágica, emergiram da penumbra para virem reforçar (e engordar) o actual Executivo. E com isto, Cavaco Silva, secou para já toda a oposição. De resto, já no tempo em que ele tinha sido primeiro-ministro, houve quem dissesse que o cavaquismo era como o eucalipto, secava tudo à sua volta…
Por mim, se não estivesse ocupado a falar de assuntos tão sérios os quais, até, nos afectam a todos (a uns mais do que a outros, é evidente) estaria tentado a comparar, por analogia, esta mudança de lugares no Governo, com as que, por vezes, se operam numa equipa de futebol, pois salta-se de uma pasta para outra como se uma mesma pessoa congregasse em si os atributos indispensáveis para gerir, por exemplo, a Defesa Nacional, os Negócios Estrangeiros, a Economia, as Pescas ou a Agricultura, tal como no chamado desporto-rei, se desloca um médio para jogar a extremo, ou manda avançar um defesa para tentar manter até ao fim do jogo aquele resultado que convém à equipa. Só que, ao proceder-se deste modo no Governo, que se queria coeso, forte, competente e determinado, o qual diga-se de passagem, já se encontra na 3.ª divisão, acabará, mais dia menos dia, na ânsia de sobreviver, lutando desesperadamente, mas nas divisões distritais!
Relevem-me prezados leitores, estas analogias, mas um pouco de humor talvez nos ajude também a suportar melhor as agruras do dia-a-dia…




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