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As nossas relações com o Brasil

Agora que tanto se fala nas nossas relações comerciais (e não só) com o Brasil, queria relatar algo longínquo na história. Na sequência da primeira invasão francesa, a família real portuguesa embarcou para o Brasil em 1807, estabelecendo-se no Rio de Janeiro, cidade que se tornaria a verdadeira capital do império. É no Brasil que o infante D. Pedro passa uma parte da sua infância e juventude. É reconhecida, mesmo pelos seus contemporâneos, a superficialidade da sua instrução, à qual se juntava um espírito impetuoso e enérgico; em última análise, estes são alguns dos factores que explicam o seu papel na independência do Brasil.

Maria Fernanda Barroca
10 Ago 2013

Quando a família real regressa a Portugal, o filho D. Pedro recusa-se a embarcar para a Europa. Em 7 de Setembro de 1822, tomando conhecimento de despachos que recebera de Lisboa junto das margens do Rio Ipiranga, proclamou a independência do Brasil, bradando o famoso grito do Ipiranga: “Independência ou morte”. No dia 1 de Dezembro do mesmo ano é proclamado imperador e defensor perpétuo do Brasil.
Talvez a fraca instrução que teve levou-o a olhar prioritariamente para esse assunto quando chegou a Imperador.
Assim, no dia 11 de Agosto de 1827, o imperador Dom Pedro I criou os dois primeiros cursos superiores em funcionamento no Brasil. Os cursos de Ciências Jurídicas e Sociais, nas cidades de São Paulo e Olinda, este último posteriormente transferido para o Recife.
 Antes disso, quem quisesse tirar um curso superior tinha que se deslocar até Coimbra, em Portugal, para frequentar as aulas. Cem anos depois, durante as comemorações do centenário da criação dos cursos superiores no Brasil, um dos participantes das festividades, Celso Gand Ley, propôs que a data fosse instituída como o Dia do Estudante. Assim, o dia 11 de Agosto é considerado, no Brasil, o Dia do Estudante.
Gleissa Santana, 20 anos, aluna do 1.º ano do curso de licenciatura em Química do campus Petrolina, encara o desafio dos estudos como o maior esforço agora, para ser recompensada no futuro. É com esta motivação que estudantes como ela encaram as deslocações de Juazeiro à Petrolina, de segunda a sábado, para frequentarem as aulas.
O investimento ainda está no começo, mas Gleissa garante que está disposta a ir até o fim: “Com certeza vai valer a pena, sempre gostei de Química e o curso aqui do Instituto Federal Sertão-Pernambucano é muito bom, dá-nos uma visão ampla, tanto teórica como prática, os professores são óptimos, não tenho nada de negativo a assinalar. Pretendo continuar os estudos e fazer o mestrado e doutoramento”, afirmou a licencianda, natural de Remanso, na Bahia.
Já o aluno do 2.º ano da licenciatura em Física, Guido de Aguiar, 17 anos, sempre quis ser professor. A Física é uma paixão que ele afirma ter desde os primeiros contactos com a matéria: “É a disciplina com a qual sempre tive maior afinidade. Faço a licenciatura em Física e sinto-me realizado. Não falo de recompensa monetária, mas da satisfação de fazer o que gosto. Se eu procurasse uma recompensa financeira teria procurado um curso como medicina, por exemplo. Mas também tenho consciência de que posso ser recompensado financeiramente se eu for um bom professor de Física”, concluiu o aluno.
O estudante aproveita para lembrar que ainda faltam professores de Física na região do Vale do São Francisco, opinião compartilhada pela aluna Tatiane Luzia, da mesma turma: “Realmente há uma falta de professores de Física na região. No ensino médio, a disciplina sempre foi leccionada por professores de Matemática, mas com a chegada da licenciatura em Física ao Instituto Federal Sertão-Pernambucano, essa realidade já está a mudar”.
Estudar é o exercício do saber. E como é gratificante ser um atleta do conhecimento! Como numa competição, as medalhas vêm em forma de realização pessoal e profissional e justificam todo o esforço despendido em horas de estudo, muitas vezes abdicando de outras coisas, como festas ou o próprio descanso.
E se, como referem aqueles estudantes, há um “deficit” de professores de Física, por que não aproveitar alguns dos nossos licenciados/doutorados nessa área, «exportando-os» para lá, em vez de os pôr numa caixa de supermercado (ressalvo que com isto não quero desprestigiar os/as caixas dos supermercados), aceitando assim uma sugestão do PM que temos?




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