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Varandas para o Atlântico

O título empresta-mo Sousa Dinis, melhor, o Senhor Juiz Conselheiro Joaquim José de Sousa Dinis, fundador da Associação dos Escritores Juristas, AMIGO e companheiro em inesquecível viagem, com a Académica, a Israel. Ali partilhámos quarto. Bem haja hoje pelo partilhar da obra onde revisita o achamento do Brasil na Carta de Vaz de Caminha. Embora do País Irmão, pudesse cronicar a “guerra” dos Estádios ou a inesquecível viagem do Papa Francisco, não uso o título para coisas dos brasis. A razão é espacio-temporal. Da minha Varanda olho para o Atlântico que me bordeja a porta.

Gonçalo dos Reis Torgal
9 Ago 2013

Não longe, entre a Catedral verde e sussurrante e o Oceano, o Poeta confessou: “Numa casa que está rezando ao Mar os sonhos ele mos deu, / ditava e eu escrevia.
Entre o Verde e o Azul, na minha Varanda, rendo-me ao Mar. Com ele dialogo, sem a dita de que me dite o escrever. Do fundo d’alma, partilho sonhos ou desabafo inquietação.
Indigno-me pela paródia orquestrada pelo Senhor das cagarras: semana sem Governo, para, finda a birra, volver ao recusado. Governo com uma Ministra que “não diz a verdade toda” e um Secretário de Estado mentiroso, comprometido nos swap. Sem vergonha, CPP teima em ambos. Aqui anda mãozinha de reacça.
Como se, com tudo isto, o Governo não andasse já pelas ruas da amargura, CPP nomeia para os Negócios Estrangeiros par do sinistro Bando do BPN onde enricou do dia para a noite. CPP ignora que a Mulher de César tem de ser e parecer.
De mentira ou meias verdades o recauchutado II Governo CPP. Tem de tudo: da razão ao Princípio de Peter (parabéns saudosa Senhora Deputada), à incoerência do Ministro Crato, passando pelo não-larga-o-tacho do ministro da lambreta, até à esperança na Economia. Ora, corrigindo Platão, para quem a Justiça é o mais nobre dos predicados, o Dalai Lama afirma que de nada adianta a Justiça se não houver VERDADE! Ora Verdade é o que falta ao Governo, desde o agir ao revés das promessas eleitorais, à teima na ruinosa política de austeridade coisificando os portugueses.
Só neste cenário se podem dar casos como o do Piçarreiro, sem afectar a Ministra ou responsável prisional; o da desigualdade das leis que isentam juízes, diplomatas e BdP; da Justiça com olho para os ricos, Banca (Faria de Oliveira ganhava mais na CGD do que Christine Lagarde no FMI!), grande capital (O novo IRC é maná para as grandes empresas).
Só aqui se enquadra um Ministro da Educação a dizer que houve condições de igualdade em provas realizadas em dias diferentes, circunstâncias diferentes, com questões diferentes. Ou a continuar a política de mega agrupamentos (iniciada pela D. Lurdes), atentando contra o que de mais básico dita a pedagogia. Ou pretender sujeitar a provas de apto a servir professores de quem sempre se serviu.
Só este desgoverno fecha a porta da Saúde aos enfermeiros, despedidos quando precisos são. Um piso do Centro de Reabilitação da Tocha está fechado por falta de enfermeiros. Isto a par da desumana política que limita medicamentos.
Neste agir se prepara o Governo para novo assalto aos que esperavam os últimos dias sem sobressalto. Ao roubo inaudito a um grupo de pessoas indefesas que, crédulas, deixaram na mão do Estado o que deles era, prepara-se CPP, a mando da TROYKA, (chega de, embora verdade, bater na tecla de ser Sócrates o culpado) para mais um roubo em retroactividade. Daí o desalento dos “Velhos”, descuidando a saúde e não poucas vezes a limparem uma lágrima, olhando o que, sem poderem, quereriam comprar para um neto. Antevejo a Crónica de um Holocausto anunciado, com raiz na tese que Cavaco Silva defendeu, em conferência na Universidade do Porto – é esperar que morram. 
Dirão que me repito.
Quem não se sente não é Filho de Boa Gente. Noutro repetir: Se não defendemos os nossos direitos, perdemos a dignidade e a dignidade não se negoceia. Ou, com António Aleixo: “Só os burros estão dispostos a sofrer sem protestar”
Tudo isto, lembra o Mar, são lágrimas de Portugal. 




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