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Outro Ponto de Vista…

Em recente intervenção televisiva, o filósofo José Gil colocou de modo acutilante a verdadeira questão sobre os tempos que passam. Utilizando como exemplo paradigmático a situação de um secretário de Estado que, de modo mais ou menos obtuso, se guindou a lugar de responsabilidade, justifica que os momentos que hoje vivemos assentam na ausência da honra, num relativismo alógico, que aceita uma verdade e o seu contrário e um discurso narrativo oco e vazio nas suas proposições e, por isso mesmo, com consequências dramáticas para todos nós.

Acácio de Brito
9 Ago 2013

Este discurso do pensador José Gil, aparentemente céptico, pode ser pedagogicamente interessante.
Senão vejamos:
A aparente voracidade dos media sobre casos mais ou menos particularistas permite-nos, para lá da espuma dos dias que correm, perceber que o importante seria alterarmos o nosso modo de escrutínio.
Ao serviço público, à política enquanto nobre arte de servir a comunidade, só devem ascender os melhores e mesmo esses devem ser objeto de publicitação de todos os aspetos da sua vida, dos seus interesses, dos seus amigos, isto é, transparência ao limite de modo a que quando servem a causa de todos o fazem com honestidade, probidade e abnegação, aos quais, depois de sério e público escrutínio nada se lhes pode apontar em atos repreensíveis ou indicadores de algum abuso.
Até porque não concordo com a afirmação “popularucha” de que os políticos são todos iguais e que ao generalizar está de modo bacoco a lançar o anátema sobre todos, os bons e os maus, tentando contraditar deste modo o que de forma espantosa e real encontramos plasmado no texto de Gustavo Sampaio “Os privilegiados”, onde demonstra a forma como os políticos e ex-políticos gerem interesses, movem influências e beneficiam de direitos adquiridos.
Separar de modo claro os interesses privados do interesse público, com a publicitação de todos os atos que tenham a ver com a vida coletiva, é caminho que temos de percorrer.
Não o fazendo, caminhamos de forma alegre e irresponsável para soluções que a história recente ainda nos faz recordar.
Perante o mar de insatisfação de tantos, perante as agruras de uma vida quotidiana muito difícil, torna-se fácil um discurso populista contra os políticos.
Ora o que devemos fazer, cada um de nós, de modo individual, é reclamar por um outro modelo de recrutamento da classe que tem a honra de poder servir, a classe política, que deve ser privilegiada pela ação do seu trabalho em prol de todos nós, os contribuintes, indivíduos e cidadãos.




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