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Precisamos de estabilidade política2

O Presidente da República tomou uma decisão, a meu ver, errada, como já disse no artigo anterior, ao falar em eleições antecipadas para 2014 e, ao mesmo tempo, não aceitar, de imediato, a proposta dos partidos da governação, factos geradores de um impasse político que não foi bom para o país em momentos críticos como aquele que estamos a viver. A resposta foi dada com os mercados a flutuar, sem rumo certo, numa incerteza que se evitaria se não houvesse este contratempo.

Salvador de Sousa
8 Ago 2013

Viabilizar a solução encontrada pelos partidos da maioria não impedia que não propusesse o diálogo de salvação nacional que decorreu, pois sabíamos de antemão que o Partido Socialista não iria fazer parte do Governo, mas poderia apoiar uma solução e contribuir para inverter esta situação aflitiva. Isto significa que o Presidente da República criava maior estabilidade se aceitasse o acordo dos partidos da maioria, incentivasse o diálogo e não falasse em eleições antecipadas num momento em que tinha tudo para a estabilidade política.
O diálogo decorreu, mas já se adivinhava um desfecho negativo e todo o tempo foi, em parte, perdido e o país não pode aguentar estas incertezas, pois cada dia que passa há retrocessos que prejudicam imenso a nossa credibilidade internacional. Concordo perfeitamente com estes encontros, negociando com os partidos da oposição de forma a encontrar o melhor rumo para Portugal. Apesar de tudo isso, não seria mais viável o Presidente da República aceitar o Governo remodelado e propor, na altura, o tal diá-logo a fim de se criar consensos em matérias cruciais para a nossa economia como, aliás, ficou claro (e bem!) nesta última intervenção? As negociações não seriam mais credíveis se houvesse já um Governo reestruturado e com o apoio maioritário da Assembleia da República? Falar em eleições antecipadas foi criar um período instável e afundar o país ainda mais e acho que isso era mais um ato político, pois os acordos devem surgir no interior do diálogo e não em troca de promessas.
Gostei da decisão, agora, do Presidente da República, mas só pecou pelo atraso, pois não era difícil prever este desenlace.
A comunicação social falou de figuras históricas que estavam contra o diálogo, inclusivamente de cisões dentro do Partido Socialista caso houvesse qualquer acordo. Onde está a verdadeira democracia? Numa direção que foi eleita em congresso pela maioria dos militantes ou em duas ou três pessoas que parecem chamar a si toda a verdade? Que democracia é esta, quando não admitem um acordo “a priori”, pressionando, com essas atitudes, o fim de um diálogo? Eu, sinceramente, não percebi essas atitudes, sobretudo de alguém que muita gente chama “os pais da democracia em Portugal”. Por que razão não esperaram pela decisão? Se agora os partidos continuassem um diálogo, tal como o Presidente da República também deseja e se colhessem bons frutos para o país, o que diriam essas pessoas? O diálogo é o fermento da democracia, é a seiva que faz florescer todos os “ramos”, por isso, há que o incentivar cada vez mais para que o crescimento se faça sem que nenhum dos “ramos” seque.
O Presidente da República fez muito bem em acabar com a ideia de eleições antecipadas que estava a gerar incertezas. Mesmo sem acordo e promessas do género, os partidos podem continuar a conversar e colocarem em concreto alguns pontos convergentes que, mesmo assim, obtiveram ao longo das conversações. Só espero que colaborem com o Governo e com todos nós, procurando alternativas credíveis e que não andemos só a criticar sem propor soluções. O problema, neste momento, não é ser um Governo de direita ou de esquerda. Temos um legitimado pelo povo português, que ainda não chegou ao fim do seu mandato, e só deve ser julgado quando isso acontecer, a não ser que haja algum contratempo, como já aconteceu, mas que teve solução.
Só espero que os dirigentes socialistas não se tivessem deixado pressionar por esses críticos que estavam contra o diálogo. Os políticos devem deixar um pouco ideias preconcebidas, impregnadas de um certo abstracionismo, e enfrentarem a realidade, induzindo e perspetivando novos ideais, só assim é que estão, verdadeiramente, ao serviço do povo que os elegeu.




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