Fotografia:
Os benefícios da cultura (II)

A cultura autêntica está em nós próprios e não sepultada em estranhas galerias de estátuas mortas de museus da especialidade. A plenitude da vida não vem das coisas exteriores a nós, por mais nobres que elas sejam. Somos nós que temos de criar o belo edifício da nossa integridade moral e psíquica. “Embora andemos pelo mundo a procurar a beleza, temos de a levar connosco ou não a encontraremos” – escreveu Emerson.

Artur Gonçalves Fernandes
8 Ago 2013

Muitas pessoas podem fruir o máximo prazer com paisagens edénicas, feitas de árvores frondosas ou com ramagens variadas e coloridas, de bosques ou de flores, do céu azul e brilhante, de nuvens encasteladas, de mares encapelados ou calmos, de ondas brandas de lagos abertos ou rodeados de terra rochosa multiforme, de vistas de margens policromadas de rios sinuosos, de noites estreladas e luarentas. Outras pessoas há, no entanto, para as quais nenhuma beleza natural tem encantos. A estas falta-lhes a capacidade de reconhecer e compreender todos os tipos de beleza e cultivar o gosto por eles. O homem culto, além de formar e conservar o seu carácter, também sabe aceitar, nos outros, um ponto de vista diferente do seu e, simultaneamente, desenvolver uma simpatia imaginativa, uma largueza e uma flexibilidade de espírito, uma estabilidade e um equilíbrio de sentimentos, bem como uma calma ponderada para pensar e decidir. Nenhum conhecimento adquirido jamais será tão importante como o de saber o que dizer e quando o dizer ou o que fazer e como o fazer. Este será um dos segredos do sucesso ou a chave de ouro que abre a porta das oportunidades corretas. A beleza de uma pessoa tem mais a ver com as qualidades interiores que irradiam paz e tranquilidade, do que com as características físicas. Salomão pedia a Deus um coração compreensivo, enquanto Sócrates solicitava o dom de o fazer belo por dentro. Todo o homem deve cultivar a ponderação e armazenar energia para ser usada quando necessário; ponderação é a arte de erguer as sobrancelhas em vez de deitar o telhado abaixo. Ela conserva o homem calmo e acautelado nas mais variadas circunstâncias. Isto não significa fraqueza, nem estupidez, nem indiferença, nem desinteresse. Na sua forma mais alta e nobre, ela sugere e implica autoconfiança, independência e domínio perfeito. O trabalho realizado com ponderação é mais meticuloso, mais bem feito, mais inteligente e, por via disso, mais profícuo. A cultura da ponderação implica um poder bem controlado e melhor dirigido, evita desperdício de energias vitais e confere o equilíbrio necessário a todas as nossas forças naturais bem alimentadas e desenvolvidas. 
É sempre possível o aperfeiçoamento cada vez maior da qualidade de vida de cada um de nós. Ser tolerante, generoso e pronto a perdoar, sem nunca renunciar ao grande objetivo ou princípio essencial do homem: ser verdadeiramente grande. Em todos os escalões ou degraus da vida, o coração humano deve procurar a beleza que está ao alcance de quem a quiser usufruir. As coisas belas são dadas a todos. Alarguemos os nossos horizontes e interessemo-nos por tudo o que é bom, útil e belo. A grande beleza interior é fruto de uma filosofia tolerante, apaixonada, contínua, racional e que aspira ao transcendente. Se conseguirmos fortalecer cada vez mais a natureza interior de cada um de nós, o exterior tornar-se-á sempre melhor. Quem tiver pensamentos realmente belos pode estar certo que a sua personalidade se aperfeiçoará cada vez mais e a vida será culturalmente mais forte. “A cultura é a busca da nossa perfeição total mediante a tentativa de conhecer o melhor possível o que foi dito ou pensado no mundo, em todas as questões que nos dizem respeito”- afirma Matthew Arnold. A cultura é um dos bens mais preciosos do homem e que lhe serve de conforto nas etapas mais cruciais da vida, nomeadamente na velhice.




Notícias relacionadas


Scroll Up