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Políticas de campanário

Dia 5 de Agosto, último dia para entrega no tribunal das candidaturas autárquicas. Partidos e cidadãos (candidaturas independentes) cumprem este procedimento para apresentação das listas de candidatos e igual tratamento devem merecer até à publicação oficial das mesmas. Tudo igual só nesta (pequena) fase, porque de resto a diferença é abismal. Desde logo pelo número de assinaturas exigido aos cidadãos que pretendam apresentar uma candidatura independente. Independente de aparelho ou espartilho e livre de escolha ou orientação partidários, porque livres e independentes, no agir e no pensar, devemos ser todos.

Maria Helena Magalhães
7 Ago 2013

Voltando à candidatura, os proponentes, cujo número resulta da aplicação de uma fórmula previamente definida – em Braga chegou aos 4.000! – devem preencher uma declaração de propositura onde constem determinados elementos de identificação, conforme modelo fornecido pela CNE. Mais uns tantos formulários quejandos têm de ser preenchidos pelos organizadores… Em Braga, a candidatura independente (Cidadania em Movimento) à Câmara e à Assembleia, fora as freguesias onde também apresentou listas, chegou ao tribunal a salvo, não sem antes terem sido realizadas verdadeiras maratonas para validar, proponente a proponente, os dados recolhidos e organizar por freguesia e por ordem crescente do número de eleitor os dossiês de candidatura respeitantes à Câmara e Assembleia municipais. E ainda, os dossiês, separados, das freguesias a candidatar. O que permitiu formar uma curiosa procissão de gente carregando pastas rua fora e tribunal adentro. E como se não bastasse toda esta trabalheira, em período de férias judiciais, quando a maioria dos prazos (judiciais) fica suspensa – continuam a correr todos os urgentes –, há um juiz a quem vai cair em cima “verificar a regularidade dos processos de candidatura apresentados pelos Grupos de Cidadãos Eleitores”.
Moral da história: a lei eleitoral autárquica é feita pelos partidos para os partidos. Tudo o que caia fora da lógica partidária está formatado para dar com os burrinhos na água. E quem se afoita a levar avante as chamadas iniciativas da sociedade civil, muito útil e invocada quando convém, vê-se em palpos de aranha para se desenvencilhar.
Depois de uns parágrafos e tantíssimas linhas de leitura fastidiosa, pois propositadamente descrevi, embora ao de leve, o que significa preparar uma candidatura independente, perguntar-me-ão o que faz correr tanta e tão diversa gente? Vontade de mudar. Mas como não basta querer, é preciso poder, há que fazer por isso.
Assim se belisca a velha política de campanário? Talvez mais do que isso….

P.S. – Declaração de interesses: sou parte integrante da candidatura independente “Cidadania em Movimento”.




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