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Sem horizontes…

As “brincadeiras governativas”, o sectarismo dos partidos, a demagogia e a irresponsabilidade dos políticos provocaram sérios embaraços ao povo português e à sustentabilidade de Portugal no mercado global. Durante tempo demais, principalmente nos momentos eleitorais, os criativos políticos venderam-nos e vão ainda nos vender a troco dos votos mais ilusões, meias-verdades e promessas irrealizáveis. Construíram um país irreal. Um país com altas expectativas sob o ponto de vista pessoal, com padrões de vida só compagináveis com os povos do norte da Europa, com uma oferta social invejável na saúde, na educação, na segurança, na aquisição de habitação própria. Os aumentos salariais acima da inflação eram assegurados em cada ano.

Armindo Oliveira
4 Ago 2013

A distribuição de subsídios era uma marca indelével da acção de quem nos governava. Portugal era, de facto, um país maravilhoso para se viver. Bom clima, boas praias, boa vida, muita tranquilidade, protecção social activa e eficiente. Tudo, mas tudo se conjugava para se ter uma qualidade de vida que causava inveja a qualquer cidadão europeu ou do mundo ocidental. Tudo isto com o dinheiro dos outros.
Depois do sonho inebriante, a magia da realidade despontou no horizonte crua e irreversível. De repente, vimos e sentimos tudo a desmoronar. Quando os dorminhocos governantes acordaram, os cofres do Estado estavam sem cheta e a teta úbere do dinheiro fácil tinha-se esgotado. O remédio foi clamar por socorro junto do FMI, do BCE e da União Europeia. O país das maravilhas estava no patamar da vergonhosa bancarrota. Acabou-se a festa e o arraial!
Chegamos à degradação financeira, económica e social pela terceira vez desde 1983. Ninguém poderia jamais acreditar que este “flagelo” nos viesse bater à porta mais uma vez, agora pelas mãos e pelas loucuras de um governante “bendito” que proclamava incessantemente por mais social, mais serviço público, distribuía de mão beijada “Magalhães” e engendrava mais e mais parcerias público-privadas. Para enfeitar melhor o descalabro, só faltou ultimar as parcerias do TGV e do Aeroporto de Lisboa. De resto, tudo muito bem concertado: políticos, banqueiros, autarcas, empresários da construção civil. Uma equipa poderosa e bem entrosada que nos levou à desqualificação e à descida de divisão. Este também era o tempo em que as pesadas dívidas não eram para serem pagas, mas para serem geridas. E com esta metodologia, chegamos facilmente aos 200 mil milhões de euros de calote. Impensável! Talvez criminoso?
Além das gabarolices tão próprias de quem não tem a mínima noção das responsabilidades e de quem tinha e tem a obrigação de fazer uma gestão do país, equilibrada, transparente e sustentada, o Partido Socialista sofre ainda da patologia da amnésia extrema e de respeito por um povo que vive agora situações de extrema fragilidade. Se tivesse deixado, como lhe competia, as contas públicas em ordem e bem acertadas, o governo ou governos que viessem a seguir não teriam dificuldades em continuar na rota do crescimento e do progresso.
A situação do terceiro resgate, verificado em 2011, é um recorde único no quadro de um país europeu, o que demonstra bem a impreparação, a imaturidade e a falta de brio pelos valores da pátria de quem nos governava. Era perfeitamente escusado termos chegado a este ponto de ruptura social e de afundamento do país se tivesse havido prudência e respeito pelos portugueses.
Neste momento difícil da vida, da idoneidade e da dignidade de Portugal, o PS em vez de colaborar numa solução tripartida e empenhada para salvar Portugal, faz o jogo político da irresponsabilidade, do eleitoralismo, da amnésia e da esquerda falaciosa.
Como não ganhamos juízo, nem temos homens com H maiúsculo na liderança do país, está eminente novo resgate para que o Estado possa funcionar, ao menos e temporariamente, com alguma normalidade. Só que este novo resgate vai implicar mais endividamento e medidas muito mais penosas para a sacrificada classe média.
É triste dizê-lo: cada povo tem o que merece.




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