Fotografia:
A infelicidade de ter razão

Normalmente quem tem razão ganha uma aposta e fica feliz. Comigo deu-se precisamente o contrário. Quando os meus receios se concretizaram a respeito da possibilidade do PS estar disposto a assinar o acordo com o PSD e o CDS, infelizmente tinha razão. Na verdade já o tinha previsto na crónica de há tempos, na crónica “Troica à Cavaco”. Gostaria muito mais de ter perdido esta previsão porque perderia eu muito pouco, mas não perderia tanto Portugal.

Paulo Fafe
29 Jul 2013

Normalmente quem tem razão ganha uma aposta e fica feliz. Comigo deu-se precisamente o contrário. Quando os meus receios se concretizaram a respeito da possibilidade do PS estar disposto a assinar o acordo com o PSD e o CDS, infelizmente tinha razão. Na verdade já o tinha previsto na crónica de há tempos, na crónica “Troica à Cavaco”. Gostaria muito mais de ter perdido esta previsão porque perderia eu muito pouco, mas não perderia tanto Portugal. O PS foi para as negociações já com o sofisma de não assinar. Seguro tinha-o prometido a Manuel Alegre, Soares ameaçou com um novo PREC, Alfredo Barroso afirmou rasgar o cartão do partido e Sócrates comentava na TV que era impossível o secretário-geral do PS assinar fosse o que fosse. Estava dada a sentença  mesmo antes do julgamento. Os socialistas estiveram a jogar com a nossa cara e a brincar com o destino dos portugueses. Sabemos agora, com mais certeza do que nunca, quem está ao lado de Portugal e quem está ao lado do partido. Não sei se ainda há quem tenha dúvidas sobre quem é quem. Ainda alguns bem intencionados cuidaram que o PS era patriota e assinaria: Cavaco Silva, os banqueiros, os industriais, os comerciantes, os notáveis do Porto, o povo na sua esmagadora maioria e até a UGT, esperavam do PS um compromisso nacional. Como um eco de maldição,  espalhou-se pelo país atónito e inseguro, a sensação de que se estava a perder o futuro. Dizem para aí, os comentadeiros e mais alguns comentadores, que Cavaco Silva saiu diminuído desta questão. Salvo o devido respeito, acho precisamente o contrário. O que percebemos é que Cavaco Silva tentou deitar a mão a um afogado e que o PS que  podia ter estendido a mão para ajudar, fugiu com ela  e deixou o pobre na iminência de se afogar. Há algum mal em tentar ajudar ou o mal está naquele que podendo ajudar não ajudou? Cavaco Silva estende outra mão ao afogado e mesmo sem a ajuda do PS, tira-lhe a cabeça da água e deixa-o respirar de novo. É este papel que o diminui? O PS procedeu de má-fé neste processo de boa-fé de Cavaco Silva. Então por que razão dizem que o Presidente da República saiu desta contenda diminuído? Julgam que os portugueses são assim tão néscios que não percebem o que se passou, que não distinguem o herói do bandido?  Quem saiu machucado disto tudo foi Seguro que fez de falso ponta de lança do PS; foi Alberto Martins que o mandaram à festa sem tostão no bolso. Seguro perdeu o país e os velhos do Restelo do PS perderam a cara perante os portugueses. Julgam que ganharam mas muito se engana quem cuida. Que pena eu tenho ao ver que o PS deixou de ser um partido português e passou a ser um partido da internacional socialista. Boas férias e até setembro.




Notícias relacionadas


Scroll Up