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O tempo de Encontro na Missa

Há um tempo fundamental a que se não tem prestado atenção na dinâmica da missa, mas que muitas igrejas protestantes, enquanto comunidades da Palavra, valorizam: o tempo de Encontro. Por tempo de Encontro entende-se aqui o gesto de acolhimento personalizado à entrada do lugar onde ela se vai celebrar, acolhimento a todos os que vêm participar (digo participar, não assistir), quer já se conheçam ou não uns aos outros. Sem este tempo de Encontro não faz sentido, mais tarde, o abraço da paz. Acolhimento que significa, antes de mais, alegria e disponibilidade em estar com os outros, abertura para ouvir e partilhar ideias e experiências de vida dentro da perspectiva de uma comunidade de fé. Sem este tempo de encontro não faz sentido o abraço da paz mais tarde. Aprende-se sempre quando se ouve e se participa. Encontro que não significa condicionar ninguém. As pessoas, como as instituições, funcionam no tempo, evoluem, têm um antes e um depois do presente. O espírito de encontro não significa forçar o ritmo de ninguém, significa apenas reforçar uma comunidade de afectos e convicções e um estímulo a olhar a vida com outros horizontes e com outra sensibilidade.

M. Ribeiro Fernandes
28 Jul 2013

Há um tempo fundamental a que se não tem prestado atenção na dinâmica da missa, mas que muitas igrejas protestantes, enquanto comunidades da Palavra, valorizam: o tempo de Encontro. Por tempo de Encontro entende-se aqui o gesto de acolhimento personalizado à entrada do lugar onde ela se vai celebrar, acolhimento a todos os que vêm participar (digo participar, não assistir), quer já se conheçam ou não uns aos outros. Sem este tempo de Encontro não faz sentido, mais tarde, o abraço da paz. Acolhimento que significa, antes de mais, alegria e disponibilidade em estar com os outros, abertura para ouvir e partilhar ideias e experiências de vida dentro da perspectiva de uma comunidade de fé. Sem este tempo de encontro não faz sentido o abraço da paz mais tarde. Aprende-se sempre quando se ouve e se participa. Encontro que não significa condicionar ninguém. As pessoas, como as instituições, funcionam no tempo, evoluem, têm um antes e um depois do presente. O espírito de encontro não significa forçar o ritmo de ninguém, significa apenas reforçar uma comunidade de afectos e convicções e um estímulo a olhar a vida com outros horizontes e com outra sensibilidade.

1.Para aqueles que consideram a missa como a celebração da Última Ceia, o tempo de Encontro é o ponto de partida para o sentido de grupo e de comunidade; para aqueles que continuam a interpretar a missa como a comemoração do sacrifício de Jesus na cruz, o tempo de Encontro não fará organizacionalmente sentido. São duas leituras diferentes do mesmo acontecimento (a Última Ceia), que uns interpretam, segundo a tradição judaico-cristã, como sacrifício de tipo religioso e outros como encontro de acção de graças da eucaristia. Estas duas leituras implicam atitudes diferentes e modo de estar diferentes, quer em termos pessoais, quer em termos de grupo. Não se trata de hipóteses académicas, mas de mera aplicação de procedimentos conhecidos das Ciências Humanas.

2. Desde tempos imemoriais que os homens procuraram agradar a Deus (chame–se-lhe o nome que chamar ou a representação que foram capazes de ter nessa altura) e obter os seus favores, oferecendo–lhe sacrifícios, mesmo até sacrifícios humanos. Encontram-se vestígios disso nas religiões das mais várias partes do mundo e a própria Bíblia os apresenta ao relatar que Abraão estava disposto a sacrificar a Deus o seu filho. Com o passar dos tempos e o evoluir cultural da sua consciência, este entendimento do sacrifício humano foi evoluindo para sacrifícios de animais; mas, de qualquer maneira, a imagem de sacrifício permaneceu. O animal era sacrificado em cima de uma pedra especialmente talhada para o efeito, a ara, que deu origem ao chamado altar. Nas igrejas católicas, a mesa do altar continua a ter, ao centro, uma ara como símbolo sacrificial.

3.Este contágio cultural do cristianismo com outras religiões e sobretudo com a cultura religiosa do judaísmo marcou a interpretação da morte de Jesus, que passou a ser considerada como um sacrifício religioso oferecido a Deus em resgate dos pecados dos homens, em vez de simplesmente a considerarem aquilo que foi: uma condenação à morte, muito cruel, por motivos religiosos decidida pelo governador romano a pedido dos dirigentes dos sacerdotes judeus. Esta influência judaico-cristã marcou a interpretação deste acontecimento e a evolução litúrgica do procedimento religioso do cristianismo.
As igrejas foram construídas para ser local de oração com o culto do sacrifício da morte de Jesus em mente (chegou-se a valorizar mais a morte do que a ressurreição de Jesus). Sacrifício que implicava, de acordo com as tradições das religiões, haver um sacerdote a presidir a essa cerimónia. O povo devia entrar para esse lugar em silêncio (ninguém vai para a comemoração de um sacrifício com ar de festa) e assim continuar até ao fim, até ao momento em que são mandados embora, porque tudo já terminou. Nas igrejas tudo estava orientado para o altar do sacrifício. E quem orientava a liturgia dessa representação passou a ser o centro das atenções, porque lhe eram atribuídos poderes especiais. O povo assiste como indivíduos e como multidão, mas não com espírito de grupo. Neste modelo, não há propriamente grupo nem comunidade.




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