Fotografia:
Matrimónio, caminho de santidade

O matrimónio é um autêntico caminho de santidade, e é por isso que o Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimónio e Família organiza, desde há muito, palestras sobre “Perfis de santidade conjugal”. Nessas palestras, são tratados temas como a força que vem do amor, a fidelidade ao amor, testemunhos de amor entre outros, acompanhados de depoimentos de casais no caminho da santidade.

Maria Fernanda Barroca
27 Jul 2013

O matrimónio é um autêntico caminho de santidade, e é por isso que o Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimónio e Família organiza, desde há muito, palestras sobre “Perfis de santidade conjugal”.
 Nessas palestras, são tratados temas como a força que vem do amor, a fidelidade ao amor, testemunhos de amor entre outros, acompanhados de depoimentos de casais no caminho da santidade.
A primeira palestra, com o tema “Um caminho de amor e fé no casal”, foi dedicada ao casal: Raissa e Jacques Maritain, dois jovens intelectuais convertidos que se conheceram em 1900 e desde então começaram uma vida juntos, descobrindo o caminho da fé, com o único fim de santificar seu casamento.
A conversão do casal Maritain não foi fácil. Raissa e Jacques procuraram o sentido da vida e a verdade na filosofia, e correram o risco de cair em desespero, chegando a pensar no suicídio. Graças à leitura dos místicos, eles entenderam que o que se sabe de Deus não é nada comparado com aquilo que não se sabe sobre Ele.
A sede de verdade dos Maritain não foi saciada pelo estudo, mas pelo amor à Verdade.
Esta palestra foi presidida pelo cardeal
Georges Cottier, OP, teólogo do beato João Paulo II e também do início do pontificado do Papa Emérito Bento XVI, tendo conhecido pessoalmente Jacques Maritain, em Roma em 1946, o seu testemunho foi muito apreciado. 
Sua Eminência abordou a questão do casal na crise familiar que existe hoje: “Enfrentamos uma grande crise do casamento. É preciso ter em mente a concepção de casamento nas correntes da nossa cultura”.
“Vivemos no mundo do momento, do instante, do provisório e isso seria uma coisa boa para reflectir em relação ao Sacramento como tal. Onde está a coluna que sustenta tudo, se não há Deus?”, perguntou o cardeal.
“Não podemos esquecer do tempo, que também passa pelo corpo que envelhece. Mudamos inclusive neste ponto de vista. A garota que conheci com 20 anos não é a mesma com 80. Existem também as
doenças (…), mas o mundo actual não quer que vejamos isso. Todos são jovens, bonitos, sem doenças. Isso é contrário à experiência humana quotidiana. Na hora da verdade, basta atravessar a rua para ver que a realidade é outra. Isso acontece porque há um materialismo de fundo que destrói o tempo”.
E que dizem os nubentes diante do Sacerdote, representante de Deus? «Eu N. recebo-te por minha mulher, a ti N., e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida».
“Se não há vida interior e relação com Deus, isso acontece. A juventude e a obsessão com o corpo querem estar ao mesmo nível que o espiritual. Se o corpo estabelece as regras de vida, tudo muda. A isso se acrescentam as enormes dificuldades económicas que as famílias enfrentam, os problemas no trabalho, o desemprego e até mesmo o facto de que o casal chega a casa exausto do trabalho, pois na maioria ambos trabalham fora de casa. No final do dia, cada um já viveu uma experiência diferente e não é possível compartilhá-la, porque a sociedade não permite. Tudo isso é pago pela família. É preciso reflectir sobre os condicionamentos sociais da vida em família, porque as pes-
soas são vítimas desta situação”, concluiu o cardeal Georges Cottier.
São Josemaria Escrivá afirmou com escândalo de alguns: “Ris-te porque te digo que tens «vocação matrimonial»? Pois é verdade: assim mesmo, vocação.” (Caminho, n.º 27).
Em 1941, o espanhol Víctor Garcia Hoz, depois de confessar-se, ouviu o sacerdote dizer-lhe: “Deus chama-te pelos caminhos da contemplação. Ficou desconcertado. Sempre tinha ouvido dizer que a contemplação era assunto de santos destinados à vida mística, e que somente a conseguiam uns poucos eleitos, gente que, além disso, se afastava do mundo. Ora, naquela época – escreve García Hoz –, eu já estava casado, tinha dois ou três filhos e a esperança – confirmada depois – de ter mais, e trabalhava para levar avante a minha família.
Quem era aquele confessor revolucionário, que saltava as barreiras tradicionais, propondo metas místicas até aos casados? Era Josemaria Escrivá de Balaguer, fundador do Opus Dei, falecido em Roma a 26 de Junho em 1975.
A 17 de Maio de 1992 foi beatificado pelo Papa João Paulo II e a 6 de Outubro foi canonizado pelo mesmo Sumo Pontífice.




Notícias relacionadas


Scroll Up