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Portugal ocupado

Bisbilhotando temas do meu arquivo, parei numa afirmação feita pelo então presidente do Conselho de Ministros, Marcelo Caetano, que um dia nas suas “conversas em família” afirmou: “Estamos em tempo de vacas magras”. Recorde–se que nessa época ainda éramos o “Império Português”. As vacas podiam estar magras, mas ainda se comiam uns bifitos e as tetas da vaca ainda davam o seu leitinho.

Artur Soares
26 Jul 2013

Bisbilhotando temas do meu arquivo, parei numa afirmação feita pelo então presidente do Conselho de Ministros, Marcelo Caetano, que um dia nas suas “conversas em família” afirmou: “Estamos em tempo de vacas magras”. Recorde–se que nessa época ainda éramos o “Império Português”. As vacas podiam estar magras, mas ainda se comiam uns bifitos e as tetas da vaca ainda davam o seu leitinho.
Aconteceu o vinte e cinco do quatro e os esfomeados políticos vindos do Minho ao Algarve e do estrangeiro, entenderam que Portugal tinha barras de ouro a mais nos cofres do Estado e toca a distribuir dinheiro em prol do progresso e da democracia, esvaziando tudo, tudo, aos pontos de aparecerem ordenados em atraso, despedimentos permitidos aos zig-zagues, isto é, a torto e a direito (como agora), e outras mazelas económicas, levando por isso Mário Soares no seu governo a assinar “um memorando de entendimento com o Fundo Monetário Internacional”.
Tal “entendimento” levou a que os impostos subissem, os preços foram amordaçando, a moeda desvalorizou, o crédito externo acabou, o desemprego passou a chaga social e havia “bolsas de fome” por todo o país.
E dizia Mário Soares: “é preciso apertar o cinto”; “não se fazem omeletas sem ovos”; “Portugal habituou-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos”; “a CGTP concentra–se em reivindicações políticas com menosprezo dos interesses dos trabalhadores que pretende representar” e, “dentro de seis meses o país vai considerar-me um herói”.
Os nossos primeiros-ministros têm sido extraídos dos partidos políticos como se sabe. Entre nós temos três partidos que se autoproclamam de democratas e outros três que evitam falar de democracia, e tudo bem. Os democratas têm governado e os outros limitam-se a confundir e a reivindicar, e nada a obstar.
A classe política está portanto organizada dentro dos partidos a seu gosto e sabe-se que neles há pessoas inteligentes, capazes e prontas para servir o país. O grande mal de tudo isto é que os seus líderes são mal eleitos, porque sem peito suficiente para enfrentarem e resolverem os problemas nacionais.
E porque não temos “perda de memória” – grande doença adquirida pelos portugueses, ao ponto de permitirem a Sócrates justificar-se na televisão pública – recordemos que Mário Soares foi banal primeiro-ministro e nunca resolveu positivamente o problema do “cinto apertado”.
Cavaco Silva permitiu o desbaratar de fundos europeus em obras faraónicas e penso que desnecessárias, desde piscinas, pavilhões desportivos sem espectadores, o desnecessário Centro Cultural de Belém, bem como a permissão de se hipotecar o Estado no negócio da Ponte Vasco da Gama.
António Guterres esbanjou centenas de milhões em estádios de futebol e Parque das Nações. Temos os submarinos de Durão Barroso e Paulo Portas e tivemos a desgraça de Sócrates em Portugal.
Pelo que se recorda, não parecem existir grandes “maçãs podres” nos partidos democráticos. Tem acontecido sim a infelicidade de neles se escolherem estagiários da política: bem-falantes, aventureiros e sem curriculum capaz que os recomende. E como não podia deixar de ser, a Maçonaria manda e comanda o país, como bem quer e entende. Ou não foi assim em 1910, com a matança do Rei D. Carlos? Disto percebe muito bem o nonagenário Mário Soares!
No momento presente temos o líder social-democrata (?) e primeiro-ministro Passos Coelho. Completamente inexperiente, licenciado tardiamente, desconhecedor absoluto da vida e dos modus vivendi dos portugueses, mas bem-falante e pretensioso, bem como Paulo Portas.
Assim, na hora que passa, temos um governo com maioria parlamentar renovado, rechapado, em nome da “estabilidade política e económica”, graças a um golpe sem catana – embora tenha feito sangue – do líder dos populares que vai – “sob promessas pensadas, sérias e honrosas” – levar o mandato até ao fim.
Passam apenas quatro dias sobre o governo rechapado e, embora tal situação tenha sossegado os portugueses e os estrangeiros – que estão “a arder” sem o dinheiro que se lhes deve – outra situação não merecem os partidos da oposição, uma vez que Seguro do Partido Socialista não tem ideias para o país e usa a demagogia; os comunistas não largam a cassete de Álvaro Cunhal e pretendem cubanizar o país, e os bloquistas (ou berloquistas?) identificam-se com os sonhos surgidos nos leitos e parecem viver sobre as nuvens que nunca os segurarão.
Assim sendo e segundo as bisbilhotices efectuadas no meu arquivo, dos líderes Light que nos têm afundado em honra, carácter e dignidade, podemos concluir que somos um Portugal (economicamente) ocupado.

P.S. – Se o Director do nosso
Diário do Minho me der licença, só regressarei aos “Ecos do nosso mundo” no início de Setembro. A todos, Saúde, Paz e Bem.




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