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Só a dádiva vence a dívida

1 Dizem que está a aumentar a pobreza. Mas o que está a crescer – e muito, infelizmente! – é a miséria.São coisas diferentes. Pobreza não é o mesmo que miséria. O mal não está na pobreza. O mal está na miséria. Se todos soubessem ser pobres, a miséria terminaria.

João António Pinheiro Teixeira
23 Jul 2013

1 Dizem que está a aumentar a pobreza. Mas o que está a crescer – e muito, infelizmente! – é a miséria.
São coisas diferentes. Pobreza não é o mesmo que miséria. O mal não está na pobreza. O mal está na miséria. Se todos soubessem ser pobres, a miséria terminaria.

2. A pobreza, segundo a Bíblia, é uma riqueza, a maior riqueza.
Jesus, como nota S. Paulo (cf. 2Cor 8, 9) era rico porque era pobre. Ele veio para nos enriquecer com a Sua pobreza.

3. Miséria é quando não se tem. Pobreza é quando se reparte o que se tem.
Daí que o Abbé Pierre tenha sinalizado a diferença: «A miséria é aquilo que impede um homem de ser homem. A pobreza é a condição para ser homem».

4. É a pobreza que nos faz perceber que viver é conviver.
É a pobreza que nos permite entender que não somos proprietários definitivos de nada, mas somente administradores provisórios de tudo.

5. O que temos não nos pertence só a nós. Nem nós mesmos somos donos de nós.
Felizes são os pobres (cf. Mt 5, 3) porque não suportam viver sem os outros.

6. O século XX foi, sem dúvida, o século dos direitos humanos. Mas também o século da violação de muitos desses direitos.
O século XXI terá de ser, pois, o século dos direitos de todos e dos deveres de cada um. Já o Abbé Pierre sintetizara: «O século XXI será fraterno ou fracassará».

7. É urgente não ignorar que Deus está não só no Céu, mas também na Terra.
É particularmente imperioso estar atento à presença soterrada de Deus nos que são atirados para a miséria.

8. Cada homem tem uma alma. Mas, «antes de lhe falarmos dela, coloquemos uma peça de roupa e um tecto por cima dessa alma. Depois disso, explicar-lhe-emos o que está lá dentro».
Não se trata apenas «de dar algo de que viver, mas de oferecer aos infelizes razões para viver».

9. A dívida não é só quando temos algo para pagar.
A dívida existe também (e sobretudo) quando vemos alguém a necessitar.

10. Regra geral, preocupamo-nos com as dívidas em relação aos bens. Era bom que nos preocupássemos com as dívidas que temos para com as pessoas.
No fundo, todos somos devedores. Todos estamos em dívida. E todos devemos ser dádiva. Só a dádiva cobre a dívida!




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