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Um olhar em redor

Este tempo de férias é também propício à meditação, a que eu chamaria atenção da alma às próprias ideias, para as examinar e comparar (um lugar calmo, longe do pulsar agitado das cidades, assim o propicia) o que me leva a pensar em certas incongruências que subsistem e são aceites com naturalidade até por aqueles que tutelam o mundo, digamos assim, sejam neste caso nações (só as mais poderosas, já se vê) ou organismos especialmente criados para as evitar ou pôr cobro a tais anomalias (ONU por exemplo).

Joaquim Serafim Rodrigues
20 Jul 2013

Este tempo de férias é também propício à meditação, a que eu chamaria atenção da alma às próprias ideias, para as examinar e comparar (um lugar calmo, longe do pulsar agitado das cidades, assim o propicia) o que me leva a pensar em certas incongruências que subsistem e são aceites com naturalidade até por aqueles que tutelam o mundo, digamos assim, sejam neste caso nações (só as mais poderosas, já se vê) ou organismos especialmente criados para as evitar ou pôr cobro a tais anomalias (ONU por exemplo).
Expostas estas considerações, entro sem mais delongas no assunto que me propus abordar desta vez, ou seja, a existência do chamado Tribunal Penal Internacional. E não posso deixar de me interrogar: qual a sua legitimidade, os pressupostos que ditaram a sua criação? Julgar os responsáveis por crimes de guerra ou contra a humanidade? Qual a sua credibilidade se nesta instância se limitam a julgar apenas os vencidos e nunca os vencedores? No há, entre estes últimos, criminosos de guerra?
Os juízes que presidem a este tribunal (cinco, seis, uma data deles) como se sentirão nas togas que envergam, pomposamente ornamentadas com largas tiras vermelhas mais parecendo cardeais? Só que estes prelados guiam-se essencialmente, ou devem guiar–se, pela justiça, pela virtude e pela temperança. Por isso, aqueles, jamais podem ser tomados a sério logo à partida!
Concretizo: já teve conhecimento, caro leitor, do julgamento de um qualquer norte-americano nesse mesmo TPI? E como poderia ter sabido disso, se o próprio ex–presidente Bush afirmou que nunca tal seria admitido logo após a criação desse tribunal? E não foi ele, Bush, responsável pelas atrocidades cometidas pelas suas tropas, usando de todo o tipo de armamento (exceto a bomba atómica, por motivos óbvios) que dizimaram milhares de inocentes no Iraque e no Afeganistão, onde se encontram ainda enterrados em busca de uma saída airosa (?), sem falar na destruição completa de edifícios como hospitais, monumentos históricos, templos antiquíssimos impossíveis de serem reproduzidos atualmente, a pretexto de que aquele país possuía armas de destruição maciça e de que o seu presidente mantinha ligações a Bin Laden, o que jamais se provou ser verdade?
Imaginemos agora este cenário meramente hipotético: se tivessem sido os alemães e não os chamados Aliados os vencedores da segunda Guerra Mundial, alguma vez Nuremberga teria sido a sede onde foram julgados, entre muitos outros chefes nazis, Goering e o almirante Raeder, condenado à morte o primeiro e a prisão perpétua o segundo?
E as atrocidades cometidas sobre um país já vencido, ajoelhado, com velhos, mulheres e crianças procurando refúgio em Dresden, cidade aberta, fugidos à barbárie das tropas soviéticas na sua investida sobre Berlim, essa gente doente e faminta era toda apoiante do Führer Adolfo Hitler? Pois essa cidade foi nessa altura bombardeada por centenas de avies aliados durante alguns dias e também de noite, sem qualquer propósito de natureza militar que justificasse uma tal ação que causou, inevitavelmente, milhares de mortos entre aqueles inocentes – não foram, também, os responsáveis par este ato gratuito, impiedoso e desumano, não foram também eles, repito, autênticos “criminosos de guerra”? Qual o seu lugar na história volvido todo este tempo? Muito simples: imortalizados mediante a atribuição dos seus nomes a ruas e avenidas. E alguns deles, a estátua perpetuada no bronze, a pose altiva, marcial, parecendo impor a todas as gerações vindouras não apenas respeito mas gratidão eterna.
Ai! Senhor, algum dia o homem deixará de ser “o lobo do homem”?




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