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Contra a globalização da indiferença

Recentemente, em Lampedusa, o Papa Francisco falou contra uma certa globalização da indiferença que nos tirou a capacidade de chorar. A indiferença tem muitos sinónimos e pode ser declinada de muitas formas. Ela pode ser resignação diante de um mal que parece invencível, ela pode ser insensibilidade diante do sofrimento do próximo, ela pode ser desinteresse face ao destino do mundo, ela pode ser demissão de pensar e de agir face ao absurdo. Essa indiferença pode traduzir-se de muitas formas mas, em geral, elas implicam uma certa passividade diante do mal e do absurdo.

Padre Hermenegildo Faria
14 Jul 2013

Não se fala, não se denuncia porque não vale a pena, para não arranjar sarilhos, para ser aceite pela opinião dominante, para não parecer fora de moda, para evitar a sensação de pertencer a uma minoria definhante. Há combates para os quais nós somos forçados à mobilização e há guerras com as quais devemos ser indiferentes. Hoje fica bem ser combatente contra a chamada “discriminação de género”, contra a “homofobia”, contra o “neo-liberalismo”. Pouco importa se se sabe bem o que isso é e o mal que muitas vezes escondem, a aceitação social obriga-nos a uma profissão de fé indignada.
Todavia, há outros combates para os quais nos é exigida a indiferença apesar do absurdo com que somos confrontados todos os dias. Um bom exemplo disso está na notícia que saiu em vários jornais das acusações que Ariel Castro enfrenta em tribunal. Ariel Castro foi preso e acusado por ter sequestrado, violado e mantido em cativeiro três mulheres. Uma das suas vítimas abortou em consequência de maus tratos infligidos por Ariel Castro. Este facto deu origem a uma acusação suplementar de homicídio agravado. Os que noticiam esta acusação são os mesmos meios de comunicação social que apresentaram a senadora Wendy Davis como uma heroína por ter impedido de ser aprovada uma lei que restringia o “direito ao aborto”. Penso que não é necessária muita acuidade intelectual para ver o absurdo de tal comportamento que não nos pode deixar indiferentes. O feto é um ser humano ou não? Se é, Ariel Castro é homicida e Wendy Davis promove o homicídio, se não é, Ariel Castro pode ser acusado de inúmeros crimes hediondos mas não pode ser acusado de homicídio agravado. Tudo isto não nos pode deixar indiferentes.




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