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Reflexão

Por várias vezes o tenho afirmado que no final de cada época/ano deverá ser um momento de reflexão em relação ao que foi feito ou aquilo que se pretende fazer, sendo como que um balanço e uma avaliação para o futuro.Vem isto a propósito da prática desportiva do nosso país que apesar de alguma melhoria ainda está muito longe daquilo que seria razoável, se comparado com os outros países membros da União Europeia. Deverá ser na escola onde tudo começa com a iniciação e fomento à prática desportiva passando pelos clubes, quer sejam de bairro ou federados, associações, autarquias, universidade ou instituições privadas.

Luís Covas
12 Jul 2013

Todos sabemos que a prática desportiva federada tem custos elevados de inscrição nas filiações e seguros dos praticantes, que com o decorrer dos tempos começa a tornar-se incomportável para os clubes de menor dimensão levando ao abandono de muitas coletividades com menores recursos mas que muitas eram e são o sustentáculo de muitos jovens que gostam de praticar desporto. Com o agudizar da crise, que o país atravessa, muitas dessas coletividades, sem fins lucrativos, começam a dar mostras de incapacidade de sustentabilidade dessas atividades pois os custos elevados que um clube está sujeito são enormes. Recordando que para além dos custos dessas inscrições e seguro dos atletas existem um sem número de despesas, como as arbitragens, os equipamentos desportivos para treinos e jogos, transportes (combustível, portagens, manutenção de viaturas, etc.), despesas médicas quer seja com os tratamentos, quer seja com os técnicos especializados nessas áreas, para além dos alugueres e manutenção de campos ou pavilhões, água, luz e gás completam uma lista interminável de despesas que não tem fim. Enfim, cada vez se torna mais difícil a prática desportiva organizada e a consequente ocupação dos tempos livres de crianças e jovens. Por isso creio que em tempo de ir a banhos as instituições responsáveis pela organização desportiva devem refletir sobre esses custos e adaptar essas despesas à realidade atual, para que as agremiações, principalmente as de menor dimensão, coletividades que ninguém fala, mas que suportam grande quantidade de jovens não venham a desaparecer. Uma palavra de alerta para as Associações de modalidade e respetivas federações que atentem no custo elevado de cada inscrição, nos escalões de formação, pois tenho receio que isso possa levar ao abandono de muitos desse pequenos clube mas que movimentavam um elevado número de praticantes levando-os ao abandono retirando-os de locais saudáveis por outros de qualidade duvidosa. Aproveitem este interregno para refletir e prepararem o início de uma nova época com taxas apelativas para que tenhamos mais coletividades e jovens a praticar desporto. É imperioso começar a passar das palavras aos atos, não é ficarmos “a assobiar para o lado” como se nada estivesse a acontecer! Atenção que temos vindo a perder terreno, tudo deverá ser pensado, planeado e projetado com tempo, ouvindo esses pequenos clubes e olhando para o que é de interesse real para o desporto e não para os seus interesses particulares. Um desejo muito forte para que as pessoas que tanto amam o desporto possam continuar a possibilitar a prática desportiva a esses jovens e sintam que, mais do que a sua “carolice”, o seu esforço e sua dedicação sejam compensados, com uma cidadania mais bem formada e mais saudável.




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