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O país precisa de estabilidade política

Independentemente da ideologia política de cada um de nós, o país precisa do apoio de todos. Criticar é fácil, dizer que se faz melhor, por quem não está a governar, também não é complicado. Estamos fartos de promessas e sabemos que, a grande maioria delas, seriam catastróficas para a nossa débil economia. Todos prometem quando estão na oposição. Vejam o que aconteceu, na França, com François Hollande que conquistou o elevado apoio do eleitorado com tantas promessas, mas agora, no poder, o que fez? No geral, o inverso do que dizia fazer, facto que tem provocado a revolta do eleitorado que já deseja Nicolas Sarkozy.

Salvador de Sousa
12 Jul 2013

Quem pede eleições nesta altura, na minha opinião, não está a prestar um bom serviço ao país, uma vez que temos uma coligação com uma maioria dada pelo povo português para quatro anos e, como tal, só deve ser avaliada, no seio do cumprimento das regras democráticas, no final do seu mandato. Há um projeto eleitoral que só é verdadeiramente cumprido no término da legislatura e a verdade não está nas oposições ou nas figuras carismáticas que têm apenas uma opinião.
Paulo Portas, presidente do CDS–PP, demitiu-se porque havia divergências dentro do seio da coligação, uma atitude que, na altura, achei um pouco precipitada por não ser, segundo o que transpareceu, de acordo com a direção do seu partido. Primeiro devia haver diálogo com os seus colaboradores próximos para que essa atitude fosse bem ponderada. É evidente que Passos Coelho, sobretudo em decisões relevantes, como o caso de uma reestruturação do Governo, não pode fazer isso sem que haja o consentimento do seu parceiro de coligação, pois ambos têm compromissos com o seu eleitorado, independentemente da percentagem de votos que cada um obteve. Sei que Paulo Portas não aguentou mais e tomou aquela atitude o que levou logo o país a perder credibilidade a nível dos mercados, perdendo milhões em juros. Tudo por causa de uma crise política passageira, pois os mercados voltaram a uma relativa normalidade desde que os dois partidos se entenderam. Poder-se-ia ter evitado se antes houvesse um diálogo, mas o primeiro-ministro, com certeza, admitindo a sua “mea culpa” conseguiu gerir bem esta crise e deu a “César o que é de César…”, pois não quis perder um homem que, como Ministro dos Negócios Estrangeiros (e não só!) tem aumentado as nossas exportações para bem das nossas empresas, da nossa economia e para ajudar a combater o flagelo do nosso desemprego.
A comunicação do Presidente da República teve pontos positivos, pois precisamos é de uma cultura de entendimento, sobretudo com os partidos que assinaram o memorando, mas todas as forças políticas têm o dever de lutarem pelo bem do país e não massacrarem o povo com discursos demagógicos. O ponto negativo do discurso, a meu ver, foi falar em possíveis eleições antecipadas em 2014 que podem não ser necessárias caso haja entendimento consistente e um trabalho profícuo com salutares resultados. A solução pretendida deve ser encontrada o mais rapidamente possível para normalizar os mercados que já estão fervilhar.
Agora pergunto, o que seria se houvesse eleições? Só complicavam, como foi dado a entender pelo Presidente da República, pois trariam um fator de instabilidade que afetaria a nossa credibilidade financeira já bastante recuperada com este governo.
Sou dos que ficaram revoltados com tanta austeridade, considero que ainda há muito por fazer, mas tenhamos paciência para tentarmos recuperar parte do que perdemos e tenhamos esperanças com a prometida viragem, diminuindo a carga àqueles que sempre cumpriram e pagaram os seus impostos. A austeridade foi exagerada, sendo a classe média sacrificada e daí a relativa paragem do motor que sempre deu a grande vitalidade à economia, fazendo abalar tanto a alta como a classe baixa, tudo por falta de poder de compra. É preciso investir na economia, baixando, se possível alguns impostos, começando a repor o que foi subtraído para que o mercado interno comece a funcionar e o país dê alguns sinais de prosperidade.
Aguardo por melhores dias, pois também tenho sofrido, mas ficaria revoltado com eleições nesta altura que seriam causadoras, possivelmente, de outro resgate (que ainda pode ser evitado!) e a consequente austeridade que nos afetaria de uma forma muito mais onerosa. Deixemos levar o projeto, se possível, destes partidos da coligação até ao final e, nessa altura, votemos de acordo com a nossa consciência. Deixemos que o edifício se finalize para depois o avaliarmos.




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