Fotografia:
Violações nas nossas universidades

Neste momento há um grande número de jovens estudantes que, tendo terminado o 12.º ano de escolaridade, preparam a sua inscrição nas universidades portuguesas. Vem, por isso, a propósito abordar aqui um tema que, não sendo especialmente grato à maioria dos jovens e dos respetivos pais, não deixa de ser pertinente, pelas consequências que pode acarretar. Sónia Martins, psicóloga forense atualmente a trabalhar no Instituto de Medicina Legal do Porto e doutoranda da Universidade do Minho, elaborou recentemente uma tese (cuja investigação lhe demorou cinco anos a realizar e que envolveu mais de 2.300 estudantes do ensino superior de todo o país) na qual conclui que entre 4 e 8% dos(as) alunos(as) universitários(as) já foram vítimas de violações sexuais!

Victor Blanco de Vasconcellos
11 Jul 2013

Sem querermos entrar em pormenores, que poderiam ser encarados pelo leitor como “elementos macabros”, convém assinalar, no entanto, que, de acordo com o mesmo estudo, uma grande parte dessas violações ocorreu em contextos de festa, por causa do abuso de álcool e de drogas. Afirma Sónia Martins, na sua tese, que o uso destas substâncias está associado a 88,1% dos casos de violação…
A propósito desta triste realidade, ainda há pouco tempo um inspetor da Polícia Judiciária alertou, na televisão, para os terríveis efeitos da vulgarmente chamada “droga da violação”. Segundo aquele inspetor, há violadores que, nas festas (que não apenas as que envolvem estudantes universitários), aproveitam a circunstância de muitas jovens pousarem o copo da bebida que estão a ingerir, enquanto vão dançar ou aos sanitários, para colocar dentro desses copos a “droga da violação”, que não tem sabor nem colorido especial. As alunas, quando voltam a ingerir o que resta da bebida desses copos, ficam drogadas e, durante algumas horas, esquecem totalmente o que se está a passar com elas, como se um “vazio” absoluto lhes toldasse a memória. Essa circunstância faz com que sejam violadas e não se lembrem absolutamente de nada, constatando apenas que foram alvo de criminoso estupro. 
Não é novidade para ninguém que uma grande maioria dos jovens universitários ingere bebidas alcoólicas em demasia. Em certa medida, essas bebedeiras juvenis são “caucionadas” (ou pelo menos “toleradas”) pela sociedade civil, como se vem verificando nas “queimas das fitas”…
Essas bebedeiras – que muitas vezes atingem estudantes pouco habitua­dos a beber álcool até essa idade, o que potencia o seu estado de embriaguês – acabam por levar a situações como as relatadas por Sónia Martins e pelo inspetor da PJ acima aludido.
Assim sendo, os jovens que agora terminam o ensino secundário e preparam a sua matrícula no ensino superior deveriam ser previamente alertados para esta terrível calamidade – sobretudo pelos pais. E os pais deveriam também, na minha perspetiva, esforçar-se por “controlar” mais os filhos, sobretudo quando estes estudam em universidades situadas fora da sua área de residência, de molde a evitarem “problemas” deste jaez, que têm repercussões incontroláveis e irreversíveis!




Notícias relacionadas


Scroll Up