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O homem que brincou connosco…

O homem que brincou connosco disse há mais de uma semana que se ia embora. Não foi. Porque usa palavras de que não sabe o significado. Porque na política não há nada que seja «irrevogável». Porque parece que, afinal, a senhora que não servia já serve. Porque o «caminho de mera continuidade no Ministério das Finanças» vai agora dar a outro destino. Porque foram lançadas as bases para um «entendimento político» duradouro. Porque…

Damião Pereira
11 Jul 2013

O homem que brincou connosco, dizem-me, tem a astúcia e a inteligência de uma raposa velha. Quando menos se esperava, saltou da moita de onde estava escondido e atacou. Apanhou a presa desprevenida e por isso vai ter um cargo novo. Vai mandar quase tanto como o chefe, coordenar as políticas económicas e negociar com as tropas “troikianas” o futuro do país. E até já foi dizer ao líder máximo que ele e o seu partido consideram que «há condições de estabilidade» e «um entendimento sólido». E aos jornalistas disse que «é prioritário dar início a “um segundo ciclo” na governação que “valorize a economia”».
O homem que brincou connosco traz, às vezes, um pin na lapela do casaco com a bandeira portuguesa e anda pelo estrangeiro a dizer que «o que é Português é bom». Mas não ponderou que com a sua atitude poderia deitar por terra todo o esforço feito pelos portugueses ao longo destes dois anos, desvalorizando aquilo que, apregoa, é sagrado para si e para o seu partido, como «a economia, as empresas, a criação de emprego, a concertação social». E, só num dia, poderá ter dado ao país um prejuízo de 2.200 milhões de euros. Enevoou a próxima avaliação da “troika” e colocou dúvidas sobre a possibilidade de Portugal necessitar de um segundo resgate financeiro.

Mas o homem que brincou connosco e com os nossos sacrifícios – que tem um sorriso branco e costuma andar pelas feiras, em tempo de campanha eleitoral, a dizer que defende os reformados e a dar beijos às velhinhas – ainda não explicou o porquê da sua demissão. Mantém o tabu, como se os portugueses não fossem, sequer, merecedores de uma palavra. A novela que nos pôs a ver há de ter novos capítulos, cujo enredo, conhecido apenas na hora, andará à vontade do protagonista.

O homem que brincou connosco pôs agora o “comandante” a fazer contas. Foram chamadas todas as tropas com assento no “quartel” e a “retaguarda” social. Para que imperasse o bom senso todos foram ouvidos. Sem precipitações. Que o tempo não está para isso. O “supremo” ouviu os apelos de estabilidade e decidiu: de momento, não há eleições antecipadas. Mas passou-lhe uma “moção de desconfiança”, até junho de 2014…

O homem que brincou connosco continua a merecer uma repreensão. Por escrito…




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