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Tarde piaste…

Nem sequer vou tentar falar do que a todos, penso, neste momento intriga, saber que Governo temos, porque a dois dias de distância não é minimamente recomendável alvitrar o que quer que seja. E pelo andar da carruagem… Ficamos, isso sim, a saber que a polissemia das palavras nos políticos pode ultrapassar o que está ao alcance da nossa cogitação: o que significa irrevogável? Pois já não sei. Então falemos antes da senhora Christine Lagarde e do FMI, uma das pernas da troika que manda e desmanda em Portugal e que encontrou nos principais (des)governantes do nosso país – um, o primeiro-ministro, está na corda bamba, e o outro, o ministro das Finanças, bateu com a porta – uns executantes atentos e reverendos que jamais questionaram, sequer admitiram fazê-lo, as orientações recebidas.

Maria Helena Magalhães
10 Jul 2013

O povo saiu às ruas, gritou a sua indignação, os sindicatos têm andado numa roda-viva, as vozes progressistas da igreja fizeram-se ouvir, os partidos da oposição, críticos por definição, protestaram em uníssono e conseguiram não destoar das críticas provindas de  vozes das áreas ideológicas dos partidos da coligação – atualmente em sistema de suporte de vida –, o desencanto das pessoas começou a derramar-se de forma incontida e a insegurança, do salário, da reforma, do emprego, do presente, do futuro, anda por aí desvairadamente. E a tudo o Governo se mostrou indiferente. Uma  solene preocupação:  não desagradar aos credores. Um alto desígnio: o ajustamento orçamental. Uma terrível consequência: desemprego galopante. E a agonia da economia nacional. E a insensibilidade da troika. E o perfeito entrosamento do FMI, na troika e por dentro da troika.
Então falemos da senhora Christine Lagarde, directora do FMI, que, soube-se domingo (dia 7), num encontro de economistas  em Aix-en-Provence, França, terá declarado: não pensamos que seja preciso um ajuste orçamental brutal até ao máximo. Mais, temos de ter uma perspectiva a longo prazo (..) não previmos que fosse ocorrer uma grande crise de liquidez. Tendo adiantado que “os “erros” cometidos pelo FMI na sua avaliação de algumas políticas aplicadas em certos países foram uma consequência de parâmetros que mostraram não serem fiáveis”. E ainda: a vigilância eterna é indispensável, referindo-se à necessária e eficiente regulação das “instituições financeiras”, porquanto “a ausência de regulação antes da crise está na origem desta.” E mais ainda, que o crescimento económico é o melhor provedor do emprego, daí que “alcançar a recuperação do crescimento económico é essencial”  pois, “há mais de 200 milhões de desempregados no mundo e 12 por cento deles estão em países da zona euro”.
Tarde piaste….
Portugal atingiu no final do 1.º trimestre uma taxa de 17,8% de desemprego.  Hoje, haverá seguramente mais de um milhão de desempregados. É uma autêntica hemorragia social. Só a recuperação da economia a pode vir a estancar. Cura? Tenhamos esperança. E muita coragem para aguentar o período de recuperação.




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