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Refletindo sobre o filosofar

Ando atento à procura de um filósofo, de um pensador, de um teólogo, até, que se tenham enamorado, exclusiva e radicalmente, pelo seu autêntico e concreto ser. Por que razão ando à procura, por entre o ondulante trigal da seara social, de um filósofo, pensador, poeta, artista, teólogo e cientista? Porque são forças potencialmente controladoras e gerentes, boas ou más, dos dinamismos sociais.

Benjamim Araújo
10 Jul 2013

Caía-me na taça do enlevo, se encontrasse um filósofo?cientista que fosse unicamente, para além da sua cultura, religião, costumes, etnias e das heranças legadas pelos seus antecessores, um sorvedor contínuo de toda a transcendentalidade do ser. Se o encontrasse, afirmaria, sem receio de dúvidas, que toda a sua vida, no agora e no aqui, teria acesso, pelas janelas sem cortinas da meditação e da intuição, ao gozo da autonomia, da liberdade e da responsabilidade, forças que o sorriso do ser lhe concederia. Esse filósofo?cientista seria o homem novo, o restaurador de forças.
É uma exigência do nosso ser autêntico, que tudo o que é humano vem do ser e retorna ao ser, pelo itinerário das etapas e superações das suas manifestações. Isto o exige também a nossa razão, no exercício da sua sanidade e maturidade, da sua abertura e da flexibilidade dos seus pensamentos traquinas.
Toda a nossa vida, sujeita ao domínio do tempo e do espaço, se orgulha de ser humana, quando ela própria se dirige, se conecta e sintoniza, através de etapas e superações, com a autenticidade do ser.
A razão manifesta-se nas suas operações lógicas (apreensão, juízo e raciocínio), que são manifestações do impulso vital, o qual é a manifestação da vida do ser. Portanto, as operações da razão satisfazem as suas funções, quando o conhecimento lógico se dirige para a sua fonte ôntica; quando, especificamente falando, a verdade lógica se integra na verdade ôntica. É desta verdade que a razão colhe a sua autonomia, liberdade e responsabilidade.
Removamos, então, estribados na força, na autoridade e sabedoria do ser, o orgulho dos racionalistas ao considerarem, com toda a genica da argumentação, a razão como autónoma, em si e por si, livre e responsável.
Sócrates é recebido, com toda a ternura, pelo coração do ser, por se lançar, destemidamente, na investigação da autêntica verdade. Já os sofistas, na imposição declarada da verdade falsificada, são repudiados pelo coração do ser. Acontece isto com todos os que, sem refletir, tomam a manifestação pela autêntica
realidade. Acontece também com os que tomam o homem, reflexo do seu ser, como medida de todas as coisas.
A verdade lógica é a manifestação da conformidade. A conformidade é a manifestação da união. A união é a manifestação da verdade ôntica, que arrasta consigo o amor, a paz, a felicidade? implícitas no ser. A compreensão lógica é a manifestação da distinção, que é a manifestação da clareza e esta é, por si, a manifestação da luz. A luz está e vem do ser.
Tenho fé e esperança nas potencialidades do nosso conhecimento, desbravador da ignorância, afirmo-o com todo o otimismo e convicção.
As nossas eficientes ações são manifestações do sucesso, o qual é a manifestação do ajustamento. Este é a manifestação da sabedoria. A sabedoria, a luz, a verdade são intuições meditadas e contempladas, por nós, no ser ôntico. É, então, para este ser, que as ações, céleres, se determinam. Este ser ôntico anseia cair, concretamente, no regaço de Deus.
As manifestações existenciais que se autointitularam de autónomas, livres e responsáveis, encarceraram-nos na prisão da instável existência. É nestas manifestações ilusórias que rola, todo fogoso e bem lubrificado, o eixo de todos os males.
Sem exceção, até hoje, todas as filosofias reforçam este eixo. Tudo tem de passar, a pente fino, pela peneira do ser, antes de entrarmos nas ondas encapeladas da vida e as dulcificarmos.




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