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Casar, hoje

Por que falham tantos casamentos? Por que tanto aumentam os divórcios? Sou tentado a crer que é na facilidade, ligeireza, direi mesmo, leviandade com que dois jovens se juntam para viverem uma vida a dois, que muitas vezes mais não é que um dormir a dois, que está a razão maior para tamanho flagelo social.Depois, porque vivemos numa sociedade onde o descartável e o virtual assumem posição de relevo e, até, contornos axiológicos, os próprios laços e afetos tendem a ser virtuais e descartáveis. E, então, transporta esta realidade para o quotidiano, a vida comum das pessoas desvirtua-se, relativiza-se e coisifica-se.

Dinis Salgado
10 Jul 2013

Vemos, frequentemente, casais muito jovens que se juntam, mas continuam, no essencial de uma vida a dois, a depender dos pais, como seja no apoio económico, logístico e, até, afetivo. Ora, a esta relação não se pode chamar casamento e, muito menos, união. Quando muito não passa de uma ligação ou, porque entre macho e fêmea, de um acasalamento.
Ademais, o casamento, fundado no amor, exige compromisso, partilha, lealdade, independência e fidelidade e onde lugar não há para a inconstância, a insatisfação, a insegurança, a dificuldade de comunicação, a imaturidade. E, sobretudo, jamais se estriba na dita leviandade, facilidade e ligeireza de uma junção, que nunca de uma união, mais de corpos que de almas.
Pois bem, um casamento para ser bem sucedido, requer adaptação (dois sendo um e um sendo dois), expressão de emoções, liderança partilhada, coesão de critérios e atitudes, resolução de conflitos (não são os problemas, mas a sua resolução que dá força ao casal, sabendo ver onde está ou não a razão) e salvaguarda da conflitualidade ou, na sua impossibilidade, a sua resolução, porque os casamentos com conflitos não resolvidos são casamentos mantidos pela aparência.
Por isso, é que casar, hoje, no seu verdadeiro sentido não está ao alcance da maior parte dos jovens, desprovidos dos requisitos básicos que fazem um casamento bem sucedido, sólido e feliz. Afinal, um casamento até que a morte o casal separe. Bonito de ver, difícil de alcançar!
Então, até de hoje a oito.




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