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Os homens da limpeza

– Meu senhor, tanta casa velha!– As obras em Braga são todas rasteiras…

Ao escrever “homens” pretendo significar seres humanos, portanto, homens e mulheres, à maneira do refrão “Lembra-te, homem, que és pó e ao pó hás de voltar”.
E não pretendo referir-me à limpeza que está na ordem do dia em Portugal, de tudo quanto é metal (dinheiro, ferro, aço, etc…) e se desenvolve com tanta rapidez e, às vezes, estrondo de rebentar os tímpanos, mesmo em sono profundo.

Manuel Fonseca
9 Jul 2013

É ao verdadeiro sentido de limpeza que ocorre nas cidades, nomeadamente em Braga. Atinente a isto, não venho censurar nada. Pelo contrário, apresentar o meu respeito e estima por esses homens e mulheres, que, desde cedo, deixam os leitos e partem para as tarefas árduas de tornar as cidades limpas, cuidadas e com belos aspetos.
São, em geral, pessoas simples, apostadas num trabalho considerado inferior, ignoradas por toda a gente e que pensam apenas no mísero ordenado ao fim do mês para que não falte em casa o pão de cada dia e os filhos possam realizar os seus estudos.
Nunca se ouviu dizer que algum desses trabalhadores fosse condecorado por algum autarca de cidades, vilas ou aldeias.
No entanto, são pessoas tão dignas, ou mais, como aqueles que ocupam a cadeira do poder. E não são acusados de defraudar alguém, ao contrário de outros bem colocados e relacionados.
Ao escrever este apontamento, quero dizer-lhes, mesmo sem seu conhecimento, que os admiro muito e lhes desejo uma vida feliz, para não falar de saudável, pois com todo esse esforço dos braços e das pernas é impossível que não gozem de boa saúde.
E interpreto a sua mensagem: – Não sejam tão porcos! Têm recipientes suficientes em qualquer rua ou canto. Depositem aí o lixo que fazem de latas, taras, papéis, pontas de cigarro, pastilhas e restos de lambarices.
Há também o trabalho realizado por outras equipas de funcionários: a jardinagem e o corte das relvas que em pouco tempo crescem como as barbas que agora estão na moda. Admiro esses relvados das encostas das zonas periféricas da cidade de Braga. Não perturbam os olhares dos transeuntes nas viagens a pé ou de transporte.
Desejo que o trabalho destes e dos outros seja devidamente reconhecido pela autoridade competente com salário adequado e num quadro legal de estabilidade e futuro.
Dir-se-á que é tudo perfeito? Certamente, não. Haverá zonas menos cuidadas, silvas e matos a crescerem com dinamismo devido à força da natureza e do tempo. Mas a culpa não será inteiramente sua, porque cumprem ordens em relação a planos e espaços.
Felicidades.




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