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Eleições autárquicas…

Ainda a procissão não saiu, já parece que o andor percorre a freguesia. Acho piada quando os candidatos às autarquias preenchem laboriosamente a sua agenda social em período de antena caseira pré-eleitoral. Durante o tempo que medeia entre os resultados do último ato eleitoral autárquico e até ao início da nova maratona para outras eleições, passou tudo ao esquecimento, recolheram-se nos “sofás” ou então estiveram este tempo todo a ver o filme “A Bela Adormecida”.

Albino Gonçalves
8 Jul 2013

Não se interessaram por aquilo que agora, mais uma vez, visitam, e prometem “um oásis de sonhos e miragens”. Os políticos locais, regionais e nacionais, mantêm uma postura de mediocridade e não saem da cepa-torta…
Talvez todos tenhamos responsabilidades na alimentação deste ciclo vicioso e obsoleto. Depreendo que a comunicação social recebe a maior quota-parte desta estática forma de levar uma mensagem saudável aos portugueses, nomeadamente sobre a verdade e a idoneidade das pessoas que tanto ambicionam o “tacho” da governação, seja ela de natureza local ou central.
Todos os dias leio, na comunicação social local, as visitas sociais dos candidatos, e a grande preocupação da reportagem misturada com a “bonecada” fotográfica para ilustrar a imagem do crédito e de “pes-
soas bem comportadas” e cuidadosamente tratadas na estética e no alfaiate. Passaram três ou quatro anos sem ligar patavina, mas hoje fazem uma autêntica correria, visitando tudo o que represente uma caça simpática aos votos.
Marcam presença em tudo que seja motivo de reportagem jornalística. Visitam associações de solidariedade social e prometem aos velhinhos internos melhores condições e proteção dos seus direitos. Depois vêm os clubes da terra, recheando-lhes intenções de construírem um “estádio” para cada um dos visitados. As escolas não ficam marginalizadas e replicam a sua aliança às injustiças do poder central, apontando o dedo à afronta e à agressividade do malvado “governo de Lisboa” que não compreende os esforços e o calvário das direções escolares para proporcionarem o bem-estar da comunidade. As creches não escapam, as criancinhas beneficiam de um lanche melhorado com a visita do próximo candidato a presidente da Câmara. Se nunca ouvimos falar em baixar o IMI, hoje parecem guerreiros a gladiarem-se pelos “direitos de autor”, e neste caso o flagelado povo agradece por tão nobre e briosa vontade intencional…
Isto, no que concerne a eleições é uma farsa, uma hipocrisia que o povo tarda em reconhecer, enquanto os políticos vão usufruindo da boa vida que levam, sem perceberam minimamente as dificuldades e as misérias sentidas pelos cidadãos mais desafortunados e vítimas de uma crise sem precedentes. Os candidatos autárquicos estão numa correria de grande velocidade para o “chamariz” do populismo, apenas num período que marque interesse pessoal. Tudo passará ao esquecimento quando acabar o “folclore” das eleições e o “viradinho” voltar ao ativo quando novo ciclo começar. Significa isto que a honradas presenças de tão ilustres pessoas candidatas ao “tacho da governação” é ciclicamente visível de três ou de quatro em quatro anos – e, no permeio, o resto é paisagem ou puramente espaço para descanso.




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