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Entre a cidadania e a política…

Os portugueses vão ouvir de novo dizer que votar e participar na actividade política é um dever. Vamos assistir a discursos inflamados, promessas, mesmo sabendo que muitas delas são pura ficção, porventura assistir a comícios de maior ou menor dimensão dependendo da facilidade de aglomerar e juntar apoiantes.Por certo, serão alguns os novos candidatos, certamente cientes de que praticam um acto de cidadania, ficando porém, em muitos casos, uma dúvida sobre a fronteira entre esse dever de cidadania e numa possível oportunidade de protagonismo e acesso ao poder.

J. Carlos Queiroz
6 Jul 2013

Caberá ao cidadão analisar o perfil, a moral, a personalidade de cada candidato, antes de aderir ao projecto e depositar o seu voto.
Em tempo de crise e lendo um livro recente, cito por oportunas algumas ideias ali expressas… Alexis de Tocqueville dizia que «o poder local é a escola primária da democracia». Este pensador dizia, que só um envolvimento significativo dos cidadãos na vida local levaria à criação da massa crítica de participação.
Em Portugal porém, o poder local democrático inibe e, por vezes, impede mesmo a participação dos cidadãos. Os sistemas autárquicos locais, refere o autor, «estarão tomados pelos negócios, em particular os do urbanismo, e afastam todos os que possam pôr em causa a ordem desde há muito estabelecida; conluio, conúbio entre promotores imobiliários, chefes partidários locais e autarcas».
Na verdade, o autor não refere nomes, apenas alude a troca de favores em alguns casos. Nada de conclusivo, daí  a sua opinião não passar disso mesmo. Nada ali é provado.
Alguém dizia recentemente que se trata apenas de mediatismo mal conseguido. Mas é preciso não esquecer que as Câmaras Municipais ficam muito caras aos cidadãos. Cada português  paga em média cerca de mil euros por ano para a sua autarquia…
O texto continua desenvolvendo o tema e exemplificando negócios ruinosos possíveis face aos recursos disponíveis. Por curiosidade refiro o livro, “Da corrupção à crise – Que fazer?” (páginas 63/64) sendo seu autor Paulo de Morais.
A curiosidade leva-nos a tentar compreender endividamentos e  também o aparecimento de tantas empresas ligadas às Câmaras nos últimos anos, leva-nos ainda a reflectir sobre a importância dos partidos nas suas escolhas para candidatos, da mesma forma que nos suscita uma reflexão na procura de entender o fenómeno da corrida ao poder, sabendo das dificuldades económicas do país e  obviamente também do poder local certamente endividado em quase todo o país. Recordo que não é licito nem legítimo lançar suspeições sobre cidadãos que se propõem dedicar desta forma à causa pública, muito menos se sugerem suspeições que seriam infundadas e injustas, apenas este fenómeno de corrida ao poder, esta preocupação política de vencer eleições, escolhendo cada partido os nomes que julgam capazes de colher maior apoio, suscita curiosidade, mesmo reflexão, perante a situação real do país, que vive em permanente austeridade.
Sugerem alguns, que a alternativa para sair da crise nunca será a austeridade, mas antes o combate à corrupção, mas chegados aqui andamos à procura de responsáveis que raramente são notícia. Entre cidadania e a política estará com certeza a vontade política de exercer com honestidade e devoção à causa pública, numa tarefa que é certamente um enorme desafio  perante os eleitores. Que as candidaturas mostrem realmente essa vontade de bem servir, esse dever de cidadania e interesse à causa pública, para que o poder local democrático continue a ser uma referência e  aquele que mais perto está dos cidadãos. Convenhamos que o tema é oportuno e merece alguma reflexão.




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