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D. Manuel Clemente deixa a Diocese do Porto

O Senhor D. Manuel Clemente foi ordenado sacerdote no Patriarcado de Lisboa, em 29 de Junho de 1979 e ordenado bispo em 22 de Janeiro de 2000.Foi bispo auxiliar da diocese de Lisboa, já então dirigida pelo Senhor D. José Policarpo, até 22 de Fevereiro de 2007, em que é nomeado bispo do Porto. O Senhor D. Manuel Clemente foi nomeado Patriarca de Lisboa e será em breve cardeal. Se a sua ausência nos entristece, alegra-nos a dignidade da sua breve elevação ao cardinalato. Daí a hipotética contradição de sentimentos.

Maria Fernanda Barroca
6 Jul 2013

No dia 18 de Maio, quando se soube oficialmente da sua nomeação para Lisboa, o Bispo do Porto, numa mensagem despediu-se da Diocese que o acolheu durante 6 anos: “Quando cheguei tinha um só propósito e programa – conhecer, servir e amar a Diocese do Porto”. No momento da despedida diz: “(…) quero reiterar uma palavra de agradecimento e bons votos. Agradecimento, que traduzirei em oração por todos e cada um de vós, as vossas comunidades e famílias. A minha entrada no Patriarcado será a 7 de Julho, ficando convosco até perto desse dia. O coração não tem distâncias, só profundidade acrescida. Aqui ou além, continuaremos juntos, no coração de Deus. Sempre vosso amigo e irmão”.

Com o novo cargo D. Manuel Clemente vai deixar a presidência da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais. Esta passará para as mãos de alguém que Braga conhece bem e que deixou o Pólo da Universidade Católica de Braga, para ocupar o cargo de Bispo Auxiliar do Porto – o Senhor D. Pio Alves, reconhecendo nele “muitos méritos”.

No passado dia 1, o Senhor D. Pio Alves foi nomeado Administrador Apostólico da Diocese do Porto.

Mas a gente do Norte (e não só) sabe ser agradecida e enviou a
D. Manuel Clemente uma mensagem de agradecimento, que termina assim: “Esta nomeação reaproxima o Senhor D. Manuel das suas raízes de sangue e não nos deixa órfãos, porque continuaremos a usufruir do calor da sua Sabedoria.
Obrigada, Senhor D. Manuel! Ficaremos a rezar por si”.

Servindo-me do que ao longo destes anos fui recolhendo em Pastoral da Cultura. «É novo», quero referir alguns aspectos relevantes da pastoral de D. Manuel Clemente, que não serviu só para os seus diocesanos, mas para todos os homens de boa vontade.

Referindo-se à «Fraternidade» diz: A fraternidade requer motivação e pedagogia. Aprende-se a ser fraterno e quanto mais cedo melhor: é bom nascermos em famílias e entre irmãos, é óptimo alargar a convivência aos que não sendo de sangue, fazem desse sentimento a substância duma política para todos.

Sobre «A Nova Evangelização» diz: Nós somos realmente muito antigos e nada nos predestinava a ser fosse o que fosse. Nem terra, nem gente, nem língua, nem coisa alguma que nos recortasse de outros. Por isso, o que temos de original é sermos realmente muito antigos, sem razões de origem para o sermos. Se há «enigma português», é esse mesmo. A nova evangelização do mundo vai a par com a própria Igreja e as comunidades eclesiais são a sua primeira realização. O que se vive alastra, assim os crentes se convertam ao testemunho, à responsabilidade cívica, à solidariedade, ao amor libertador e à esperança”

Como Homem de Cultura refere: “A relação entre a Igreja e a Cultura não se faz de maneira formal, por decreto, mas porque há homens e mulheres profundamente motivados pelo Evangelho de Cristo que depois reflectem essa motivação naquilo que criam”.

D. Manuel Clemente considera que a «convergência cultural está longe de ser feita», pelo que é necessário que as actividades dos secretariados diocesanos da pastoral da cultura «insistam na consciencialização da raiz religiosa da fraternidade, com grande incidência ecuménica».

Relativamente à devoção aos santos avança com uma frase que pode ser interpretada como uma fuga à superstição: No que à religião respeita significa passar do habitual apelo a este ou àquele santo, feito advogado desta ou daquela necessidade, para a relação filial que Jesus nos enuncia no «Pai–Nosso»”.

No passado dia 26, pelas 18.30 horas, realizou-se no Palácio da Bolsa, no Porto uma Sessão de Homenagem ao Senhor D. Manuel Clemente, com as figuras mais representativas da Cidade. No passado dia 29 de Junho, recebeu, das mãos do Papa Francisco o «pálio» de arcebispo e amanhã, dia 7, celebrará nos Jerónimos a sua primeira Missa como Patriarca de Lisboa.

Senhor D. Manuel Clemente: muitos portugueses, e não só os diocesanos do Porto, dizem-lhe: Muito obrigada e esteja certo que sempre rezaremos por si.




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