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O tempo é de crise mas, também, de assumida ignorância…

Ao abrigo do uso do Direito de Resposta, e a propósito do artigo intitulado “Outro Ponto de Vista”, publicado na edição do Diário do Minho de 28 de junho de 2013, página 2, recebemos da professora e dirigente sindical do SPN/FENPROF, Júlia Vale, o seguinte texto:Sou professora e dirigente sindical, destacada para atividade sindical no Sindicato dos Professores do Norte. Defendo uma escola pública de qualidade para as crianças e jovens e uma classe profissional dignificada que seja respeitada nos seus deveres e direitos. É nesta base que me pronuncio sobre a crónica de Acácio de Brito, publicada a 28 de junho no DM, que demonstra ausência de rigor, de conhecimento e de sentido democrático.

Júlia Vale
4 Jul 2013

A. Brito entendeu atacar os sindicatos da educação, destilando ódio e demonstrando uma clara ignorância sobre o assunto. Diz “O tempo é de se saber quanto nos custa, aos contribuintes, a manutenção de estruturas que não acrescentam coisa alguma ao bem comum.” Talvez A. Brito Inspetor da Educação, esteja a ter por referência a sua própria conduta e desempenho profissional.
A Ata Negocial assinada entre o Ministério da Educação e Ciência (MEC) e a Plataforma de Sindicatos causou urticária aos que consideram que alunos, escolas e a Educação deveriam ser empresas. Os que defendem que professores, pessoal não docente e alunos deveriam ser peões num sistema controlado onde, em fila, seguissem sem questionar as opções tomadas, como se de uma engrenagem se tratasse. O MEC e o governo teriam só de “olear” o mecanismo garantindo que ninguém tropeçava.
Mas os docentes estiveram à altura da ofensiva do MEC assumindo com dignidade uma luta em defesa do direito dos alunos a uma escola com efetivas condições de aprendizagem.
Porque quem aumenta o número de alunos por turma, impõe Mega-agrupamentos, exclui o ensino artístico das escolas, recusa apoios educativos a crianças que deles necessitam, cria um calendário escolar diferente para o Pré-Escolar, impõe atividade letiva nas horas de estabelecimento no 1.º CEB, aumenta a idade de aposentação dos professores e educadores, não percebe nada de Educação.
“Inclino-me para que os mesmos manipuladores da classe docente preferiram acautelar os seus reais interesses mais particulares”. Dirá ser uma opinião – mas as opiniões não podem levantar suspeições. Questiono a legitimidade do senhor Inspetor da Educação Acácio de Brito para duvidar dos outros. Lendo o Boletim Informativo da Insp Geral da Educação 2011, vemos: “Inspetor Acácio de Brito da Delegação Regional do Norte da IGE publica livro de crónicas.” Fica a questão: afinal quem “acautela” o quê e onde?
Defende que a ex-ministra Lurdes Rodrigues podia ter inviabilizado os destacamentos de sindicalistas. Grande tolerância e atitude democrática essa.
A maioria dos dirigentes sindicais dos professores com redução para trabalho sindical, tem horário na escola. “Não obstante, em rigor e em nome de uma honestidade intelectual que deve prevalecer” (estou a citá-lo) senhor A. Brito, se existiu verborreia foi da sua parte: faz acusações que não prova.
Por fim, não lhe admito juízos de valor. A democracia constrói-se respeitando as instituições. A falta de respeito pelos outros é clara ausência de ética.




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