Fotografia:
Edmundo Husserl, um facho de luz no escuro

Vou apresentar um simples esboço da filosofia de Husserl (1859), filósofo que foi magistralmente estudado pelo Insigne Professor da Universidade Católica, Doutor Júlio Fragata, S.J. Husserl, como filósofo e pensador, está sinalizado pela busca incessante do começo do filosofar e do método a seguir. Autodefine-se como “autêntico iniciador”. Espelha-se, na procura do começo, um insatisfeito itinerante. O itinerário das suas procuras realiza-se em três etapas: a eidética ou essencial, a transcendental e a existencial. O começo do filosofar procede, quanto a mim, do ser autêntico, cuja identidade e constituição está patente nas suas potencialidades ativas de amor, sabedoria, vida, paz…? É para este ser que todo o conteúdo filosófico tem de regressar.

Benjamim Araújo
3 Jul 2013

A etapa eidética carateriza-se, racionalmente, pela procura das essências. A etapa transcendental carateriza-se pela procura de um novo e radical fundamento do seu filosofar, através da redução fenomenológica. Esta redução
realiza-se em três estádios: crítica, eidética e transcendental. Após todas estas reduções, há um resíduo que permanece. Este resíduo é a consciência. A fenomenologia existencial vai ocupar-se da procura da verdade, do mundo e da temporalidade.
Para uma melhor compreensão da sua fenomenologia, convém estar atento à essência e à sua intuição e ao significado de nóesis e de nóema. É também importante reparar na função de “redução” e no significado de “constituição” e seus aspetos. Temos também de atender à “presença, verdade e evidência”. É muito importante debruçarmo-nos sobre a conceção do mundo e a dimensão da temporalidade na consciência.
Em Husserl, a tarefa do filosofar, apreendida de uma forma contemplativa, está na procura do verdadeiro ser.
Quanto a este verdadeiro ser, não consegui apreender qual é a sua constituição e a sua verdadeira identidade. Procurarei colmatar estas falhas com um ou outro ajustamento.
Também, como Husserl, vou procurar banhar-me, incessantemente, no oceano de luz do nosso autêntico ser. O veículo de que me vou servir é a fenomenologia, esboçando com muita brevidade três veículos distintos de fenomenologias. Os passageiros que vão entrar neste primeiro
veículo são os fenómenos biopsíquicos. Estes, na sua pluralidade e distinção, são manifestadores do corpo e da alma, intimamente unidos e cooperantes. Esta inseparável unidade é, por sua vez, manifestadora do nosso ser uno.
Se prestarmos uma continuada atenção aos fenómenos tempo e espaço, apercebemo-nos de que o tempo é um contínuo de “agora” e o espaço é um contínuo de “aqui”. O contínuo dos “agora” é, irrefutavelmente, a manifestação do “eterno”, que supera os “agora”. O contínuo dos “aqui”é a manifestação do “imenso”, que supera os “aqui”. O eterno e o imenso são, afinal, o nosso autêntico ser e nada são se o ser não for.
Quanto aos fenómenos, oriundos do conhecimento, que vêm por via do ato mental, vou afirmar que este é a manifestação da energia vital, a vida, potencialidade ativa do verdadeiro ser. Toda esta globalidade de fenómenos é manifestadora do nosso autêntico ser. Vou afirmar que toda esta gama de fenómenos nos conduz, por etapas e superações, à sua fonte radical e original, que é o ser ôntico. É também daqui que partem, em compreensão (horizontal e vertical), para todo o mapa da vida humana.
A procura incessante leva-nos, assim, à intuição do nosso autêntico ser e à sua cândida identidade. Este ser, então, que pródigas saídas nos oferece? As
saídas oferecidas são os irrefutáveis acessos às antropologias: ôntica, teológica, humana, filosófica, científica?
A antropologia é, através da gerência dos fenómenos, criteriosa e radicalmente sujeita ao ser ôntico, a via da plena realização do indivíduo, sujeito ao tempo, ao espaço e às convivências com o social e com Deus.




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