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Se já só faltam 10 meses…

1 A impaciência súbita dos partidos da Oposição). Na 1.ª metade deste ano de 2013 temos podido constatar um elevar do tom da contestação ao executivo do PSD-CDS. Na sequência aliás de manifestações populares muito participadas, já em 2012, a mais dramática das quais incluindo o apedrejamento à noitinha durante cerca de 1 hora ao corpo especial de Polícia que defendia a Assembleia da República. E que terminou por um disciplinado e eficaz (mas quase inóquo) contra-ataque das forças da ordem, que varreram o campo de desordeiros.

Eduardo Tomás Alves
2 Jul 2013

O PS, PCP e BE argumentam hoje que as contas do Governo não estariam a dar certo; que o caminho seguido, o da “Austeridade” (como se esta fosse uma opção…) não está a “resultar”; que os números do desemprego são assustadores e que se poderiam atenuar se fosse seguida a via “alternativa” do investimento (mas com que dinheiro, pergunta-se, pois não o há?). É que muitas pessoas continuam a pensar que é como antigamente, quando tínhamos moeda. E que em situações destas, imprimíamos dinheiro e com ele tapávamos os buracos.
2 – Qualquer outro “governo”, em Resgate, teria de seguir o mesmo guião da “troika”). “ Qual é a pressa? Sim, qual é a pressa?”, perguntava irónica e filosoficamente o sempre sereno mas astuto José Seguro, esse natural de Penamacor, esse vizinho da aldeia do bispo D. António Moiteiro e de uns sobreiros e pedras que eu conheço bem, no alto do Vale Garrido. O povo comum (e não poucos jornalistas) interpretaram mal aquela frase, como sinal de indecisão e de tibieza. Quando ela apenas diagnosticava correctamente que qualquer 1.º ministro que suba ao poder neste momento, em Lisboa, fica de mãos atadas porque submetido ao Memorando de 2011. Ora como qualquer 1.º ministro cujo programa seja a dita “austeridade” fica condenado à impopularidade, daí a talmúdica pergunta de Seguro. A bom entendedor…
3 – Um “resgate” não é negociado, é ditado). “Resgate” era aquilo que era pago pelas famílias ou amigos dos cativos de guerra ou de pirataria, aos captores, com vista à libertação dos seus entes queridos. Praticou-se muito, sobretudo durante as guerras contra os mouros ou por causa dos piratas da Argélia. Ora o valor do resgate não é regateado, é imposto. Daí que a tática actual do PS (e aquela que o PCP teve sempre) não são estratégias muito viáveis. Podem ser (e decerto são) muito populares, mas não são positivas. Se teimarmos em não cumprir o acordado, ou pedir a sua alteração a meio do percurso, arriscamo-nos a ser qualificados como “incumpridores” pelos grandes emprestadores do frígido norte da Europa, da interesseira China, da ponderada Arábia e sobretudo da especializadíssima nação bancária de Israel. E o mais certo é acabarmos por ter de pedir um 2.º resgate, que será decerto em condições ainda mais gravosas que o 1.º pois estas são as regras naturais do jogo. Os credores querem é ver seguro o seu capital e os juros.
4 – Mas, se foi o PS de Sócrates que pediu este Resgate…). Se fosse o carismático PCP ou o psicadélico Bloco a dizer “não pagamos”, isso poderia perceber-se. Têm filosofias de vida diferentes do comum e, sobretudo, não assinaram coisíssima nenhuma com o FMI, BE ou Comissão Europeia. Agora o PS, francamente… Elegantemente vestidos de negro (como num funeral, assim aparecem na capa do célebre livro “Resgatados”, de David Dinis) Sócrates e Teixeira dos Santos reconheceram a impotência das Finanças portuguesas para, depois dos graves desmandos socratistas, fazerem face ao futuro, sozinhas. A própria assinatura de Memorandum de 2011 pelo PSD e CDS (não tendo eles sido culpados do descalabro financeiro) só se percebe na óptica da forte probabilidade de eles virem logo a seguir, como aconteceu, a serem governo. De outro modo, assinar seria estúpido. Assim, foi pragmático e patriótico.
5 – A incrível persistência do Socratismo e a responsabilidade da Dívida). O PS, para seu bem, devia ter-se já demarcado de vez do que foi a fase socratista. E guterrista, inclusive, pois são do tempo de Guterres os gastos da Expo, do Euro e da 2.ª ponte sobre o Tejo. Que foram o pálido alvor do que se passou nos 6 anos de Sócrates: as PPP, as barragens, a rede eólica, as auto-estradas, o “magalhães”, o Parque Escolar, as “novas oportunidades” (e até o TGV e o novo aeroporto). Porém, em vez de Seguro, só se ouve Santos Silva, Zorrinho, Silva Pereira, Correia de Campos, Junqueiro, Galamba, Isabel Moreira, Pedro Marques, Lurdes Rodrigues… e o próprio Sócrates.
6 – Chegar em 2014 junto dos credores e dizer “cumprimos”). Esta parece ser a melhor política. “Fizemos tudo (ou até mais) do que vocês nos pediram e aqui está o belo resultado: desemprego, estagnação, impostos brutais. Por isso, daqui para a frente acabou-se a austeridade e fazem favor de mudar de tática e de despejar milhões de euros sobre a nossa Economia. Caso contrário vamos embora, batemos à porta da Venezuela, do Japão, da Arábia ou da Rússia”. Vão ver que resulta!




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