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Entre a espada e a parede!

Finalmente, o verão apareceu com ânsias de compensar os dias frios e chuvosos que antecederam a sua chegada e as temperaturas elevadas sentidas nos últimos dias, entre outras consequências, têm ajudado a afrouxar a agitação que há muito pulsa na sociedade portuguesa. Recentemente, foi o diferendo entre os professores e o Ministério da Educação que terminou com evidência pouco clara dos ganhos da classe em relação às propostas iniciais da tutela. Pouco depois, a Greve Geral convocada pelas duas centrais sindicais que, longe de parar o país, não excedeu de forma manifesta muito mais do que a paralisação significativa dos transportes públicos.

J.M. Gonçalves Ribeiro
2 Jul 2013

No entanto, por detrás desta acalmia, mais do que o amolecimento que o calor provoca, estará o sentimento que se tem generalizado na população portuguesa de não haver outro caminho para enfrentar as contingências da crise.
O Governo está no centro desta encruzilhada. Tem de cumprir o programa do memorando assinado com as instâncias internacionais e não pode deixar de atender aos problemas sentidos pelo povo na sua aplicação. É nesta dualidade de posições, tantas vezes opostas, que tem desempenhado as suas funções nos dois anos que leva de mandato. Se de início o percurso já se adivinhava difícil, a multiplicidade de condicionalismos externos originados na indefinição de estratégias para suster a crise da moeda única tem tornado a sua ação verdadeiramente espinhosa.
Ajuizar a ação dos responsáveis pelos destinos do país neste singular enquadramento é uma tarefa a realizar com redobrada ponderação. Se é verdade que nem sempre algumas decisões foram tomadas com prudente firmeza, não se pode deixar de valorizar alguns recuos quando isso significou estabilidade e contenção social. Não foi isto nítido quando esteve iminente o aumento das contribuições para a Segurança Social para a generalidade dos trabalhadores?
Ao reconhecer as grandes dificuldades de governação neste período crítico que passámos não devemos deixar de anotar eventuais erros e omissões, ou de aclamar as vitórias e os ganhos alcançados. Neste sentido, ao mesmo tempo que apontamos possíveis fraquezas, devemos, também, aplaudir os triunfos conquistados. Volvidos dois anos, é de salientar o facto de termos aqui chegado sem necessidade de recorrer a novo resgate e de ter sido preservada a paz social. Não esquecer que o Governo se tem movido entre a necessidade de cumprir com as obrigações firmadas para reganhar a confiança perdida e as mudanças necessárias à execução das mesmas, é um dever de quem pretende julgar com justiça e imparcialidade.
Atendendo às circunstâncias verdadeiramente excecionais que têm condicionado a ação do Governo no tempo já decorrido, acredito que este terá condições de prosseguir o caminho com mais afoiteza. Ao assumir uma postura mais dialogante, numa evidente assunção de deficiente comunicação que o tem prejudicado, e quando se vislumbram alguns sinais que fazem prever alguma moderação nas políticas europeias responsáveis pela recessão que vivemos, é urgente que reforce a energia necessária para prosseguir o rumo que nos devolva crescimento assente na valorização do trabalho, do mérito e onde a distribuição da riqueza se faça com justiça. Só deste modo será possível estancar a emigração dos nossos jovens, inverter a tendência suicidária da baixa natalidade, manter a sustentabilidade do estado social e garantir a perenidade desta nação multissecular.
Creio que este é o único caminho capaz de nos devolver, tão cedo quanto possível, a soberania que nos penhoraram. Outras apregoadas soluções não passam de miragens sedutoras apenas atingíveis com doses redobradas de imaginação, ou deliberadamente carregadas de muita demagogia.
Ao refletir sobre este tempo de dominação estrangeira a que fomos subjugados e ao avaliar o desempenho de quem nos tem dirigido, não devemos esquecer os responsáveis por esta ignóbil submissão e lembrar que o atual Governo o tem feito entre a espada e a parede.




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