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O “Zé das bifanas”

Todos os anos é a mesma coisa. O “ Zé das bifanas das Caldas” instala-se no Largo S. João da Ponte na época sanjoanina, sabendo dos milhares de euros que vai arrecadar aos “clientes” de bifanas “esborrachadas” de vinho com cominhos. Atrai longas filas de espera num ambiente de calor e poeira à mistura. É S. João. Come-se tudo e não são modestos 3 euros por um pedaço de farinha de trigo com um bocado de carne de porco. Mas é dia de festa, há as marteladas e o alho “porro” – e nestas alturas tolera-se tudo e ninguém leva a mal…

Albino Gonçalves
1 Jul 2013

Espanta-me, fico incrédulo com a minha precária visão reflexiva, vendo dezenas de pessoas num espaço público, disfarçadas de pacientes, até que chegue a sua vez de ensacar umas bifanas das Caldas que o Zé arrecada aos adeptos da saborosa carne suína “esborrachada”, receita digna de quem faz um negócio com sucesso e cria irreversivelmente longa fila de espera perante o descontentamento e raiva dos seus concorrentes.
Vem isto a propósito do “estilo” das pessoas. Compreendendo-as, mas não deixo de refletir sobre a hipocrisia dos interesses cuja lógica aponta exclusivamente para o umbigo de cada um. É caso para dizer: cada um é como é!
Imagine, caro leitor, as imensas reclamações que as pessoas manifestam quando estão numa fila de espera, exortando os seus direitos! Quantas vezes somos testemunhas de situações esporádicas de alegado excesso de tempo para uma consulta médica ou noutra área qualquer… Quantas vezes as pessoas manifestam o seu descontentamento porque pensam que os seus direitos substituem o dever da educação e do respeito pelos profissionais que lhes prestam serviço!…
Analisemos deste modo a questão: se para o Zé das Bifanas das Caldas há longa fila de espera, que chega a ultrapassar hora e meia até chegar ao balcão para a encomenda, circulando o cliente a passo de caracol conforme a saída do abastecimento, pagando por um simples pão com um nicho de carne 3 euros, quando podia comprar quase 1 quilo no talho, por que motivo não tem o mesmo procedimento de tolerância nos serviços públicos?
Será que o tal Zé das Bifanas das Caldas tem um livro de reclamações – seja ele amarelo, azul ou cor de rosa – para que os clientes possam manifestar o seu descontamento pela morosidade no atendimento?.
Por que razão as pessoas que esperam numa longa fila para se saciarem com um bocado de “chicha de porco”, enveredam pela impaciência quando a espera se impõe noutras circunstâncias da sua vida quotidiana? Isto é: qual é a diferença entre a fila de espera do Zé das Bifanas das Caldas e, por exemplo, um Hospital ou um Centro de Saúde?




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