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O Programa de Matemática

A comunicação social tem publicado várias notícias sobre um novo Programa de Matemática para o Ensino Básico (1.º ao 9.º ano) que o Ministério de Educação e Ciência (MEC) pôs à Discussão Pública, dizendo ter mais “flexibilidade” do que o anterior. Na grande maioria desses comentários, o MEC é acusado de querer regressar a um ensino de há mais de quatro décadas, mas nada de concreto foi publicado.Pegando em qualquer “Manual”, por exemplo o “Manual certificado” (D.L. 261/2007), e analisando o programa em uso veem-se bem os erros fundamentais que o Programa que vigorou até agora contém.

Júlio Barreiros Martins
1 Jul 2013

O texto legal é de um “dirigismo” impressionante: só falta mandar pegar na mão de cada professor e escrever o que ele deve dar em cada aula. Veja-se uma espécie de livro publicada por João Pedro da Ponte e Lurdes Serrazina, entre outros, sob o título “Programa de Matemática do Ensino Básico” (2007, para os alunos do 1.º ao 9.º ano), com a chancela do Ministério da Educação.
1. Retractando a ideia básica imposta pelos doutores que estão instalados no GAVE – Gabinete de Avaliação Educacional do MEC, de que TODO o Ensino deve ser “lúdico”, os manuais de Matemática estão cheios de bonecos de todos os tipos, como banda desenhada. Ora a Matemática é uma Ciência, indispensável no dia-a-dia de cada pessoa. Ciência séria não é uma brincadeira. Há que distinguir bem e por em prática que só os tempos de recreio são para brincar. Os tempos de AULA são para PENSAR, Prestar atenção ao que o(a) PROFESSOR(A) diz e fazer os exercícios propostos. A Matemática é uma ciência e a
Ciência do mais alto grau de abstração. Como tal é feita de “Definições”, “Princípios”, “Lemas”, Teoremas” e “Regras” que têm que ser “assimiladas” pelos alunos desde a “1.ª classe”. Todavia, ao contrário do “bicho-de-sete-cabeças” com que é pintada, frequentemente a Matemática poderá ser ensinada de maneira simples. Um computador é a “entidade” mais “burra” que se pode imaginar, mas pode ser “ensinado” a realizar os cálculos mais complexos que existem. É uma questão de “Método”.
2. As matérias do Programa estão mal distribuídas e deficientemente encadeadas. Salta bruscamente da Aritmética para a Geometria, sem completar nenhuma das partes. Mistura Geometria com “Desenho e Trabalhos Manuais em cartolina” que deveriam ser noutra disciplina. Tem uma linguagem inadequada à idade do aluno: fala de “Números Racionais” sem nunca os definir. Aplica teoremas, como o de Tales de Mileto, sem nunca apresentar o seu enunciado. Apresenta “fantasias” e mais “fantasias” com uma enxurrada de bonecos, o que desnorteia os alunos. Só um exemplo: no 5.º ano dão-se “Planificações de sólidos”, quando os alunos não sabem ainda as propriedades dos triângulos e dos polígonos.
3. Os Manuais têm muito poucos ou nenhuns exercícios sobre aplicações simples e de interesse prático que envolvem contas de multiplicar e/ou dividir associadas a contas de somar e/ou subtrair. Ainda pior, não insistem no ponto essencial de que não se podem adicionar cerejas com laranjas ou unidades de qualquer outra natureza. Não se esclarece o Aluno sobre o significado de, por exemplo, euros/Kg ou litros/m2.
4. Vem depois o caso da verdadeira “mania” de incluir “Cálculo das Probabilidades Estatísticas” e “Teoria de Conjuntos” no programa de Matemática de cada ano, praticamente do 1.º ao 12.º. No 5.º ano já se exige aos alunos a aplicação do diagrama de Venn a “conjuntos”, quando essa matéria deveria ser dada, apenas no 9.º ano, quando os alunos já têm alguma maturidade de “raciocínio”.

5. Uma lacuna gritante está no facto de não constar dos Programas do 1.º ao 9.º ano operações simples tais como reduzir um milhão de segundos (tempo) a dias, horas, minutos e segundos e a operação inversa. E o mesmo em relação às unidades de medida de ângulos. Um erro e lacuna importante é, por exemplo, no 5.º ano (Parte 1) dar-se o “cálculo de Expressões” onde se usam parêntesis (apenas curvos!) e números inteiros, mas nunca mais se usarem as mesmas regras para calcular Expressões onde se usem todos os tipos de parêntesis e Subexpressões com frações e adição, subtração, multiplicação e divisão de frações.

Muito mais se poderia dizer sobre a “antipedagogia” do Programa de Matemática dos anos findos (2012-2013 e anteriores) e os traumas que causa nos alunos.




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