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Um olhar em redor

Tendo-me debruçado uma vez mais sobre a nossa Constituição (6.ª Revisão Anotada-2005), logo se lê no Preâmbulo que “a Assembleia Constituinte, reunida na sessão plenária de 2 de Abril de 1976, aprova e decreta a seguinte Constituição da República Portuguesa” que, logo no seu Art.º 1.º consigna que “Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construço de uma sociedade livre, justa e solidária”.

Joaquim Serafim Rodrigues
29 Jun 2013

Fico confuso, interrogando-me: estarei, de facto, diante da Lei fundamental da nação, à qual devemos obediência e, muito especialmente, todos aqueles que, desde então têm governado este país? Ou estarei sonhando?! Mas não, infelizmente não estou. Encaro, pois, todo aquele amontoado de palavras ocas, vazias de sentido por não terem, ou só raramente terem tido correspondência na prática, muito menos agora. E não colhe, como argumento justificativo, a crise profunda em que o nosso país mergulhou, a qual atinge vários outros que também fazem parte desta mesma União Europeia.
A questão, no entanto, é esta: a crise que particularmente nos atinge não é somente de ordem económica ou estrutural. É sobretudo de natureza moral, resultante de diversos factores ligados entre si: governantes impreparados ou incompetentes na sua origem, é certo, e que, em muitos casos, sobrepõem as próprias leis que fazem aprovar no Parlamento àquilo que a Constituição da República consigna logo no seu Art.º 1.º e, em consequência disso, um modelo de ensino péssimo (a maioria dos alunos chega aos cursos superiores sem dominarem sequer minimamente as regras da nossa língua!); um poder judicial preso de movimentos, anquilosado, propício à arguição de nulidades, impedimentos, incidentes de toda a ordem a pretexto de tudo e de nada, ou seja, aquele (Educação) e este (Justiça) dois pilares fundamentais numa democracia digna desse nome.
Por arrastamento, tudo aquilo que de censurável, ou mau exemplo, vai grassando neste nosso chão sagrado, onde nascemos, aprendemos a falar, brincamos, crescemos e nos fizemos homens, observando princípios, valores e outras normas herdados de nossos pais e avós, predicados estes que, cada vez mais, vão rareando nos tempos que correm. Acham que exagero? Dispense-me então, prezado leitor, que exponha aqui (por incómodo e fastidioso) os níveis de corrupção alarmantes afetando os mais diversos setores, oficiais ou não, a criminalidade instalada por todo o lado sem a devida repressão, a insegurança, enfim, fazendo parte do dia a dia dos portugueses, os quais vão suportando resignadamente tamanhas provações. Até quando?
A terminar, tencionava emitir o meu parecer acerca das greves levadas a cabo pelos sindicatos dos professores, pois tenho por estes (pelos que ensinam…) a maior consideração, greves essas que afetaram grandemente todos aqueles alunos que tinham exames marcados e deveriam ter sido poupados a tais perturbações. Não o faço, contudo, por desconhecer todos os dados do problema. Mas uma coisa eu sei: esses alunos, embora no alvor das suas vidas, jamais esquecerão a insensibilidade daqueles que, custasse o que custasse, tinham obrigação de os pouparem a semelhantes transtornos.
E é tudo, por hoje.




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