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Heróis quase desconhecidos

Se qualquer pessoa mencionar o nome de Cristiano Ronaldo existirão milhões de portugueses identificados com os seus feitos, história, amores, desamores e conquistas. Se eventualmente referir os nomes de José Carlos Macedo, Fernando Ferreira, Abílio Valente e Luís Silva, poucos saberão quem são. Simão Morgado (nadador recordista nacional dos 50 m e 100 m mariposa) dizia um dia destes: «Foi preciso ser júri de um programa televisivo para ser abordado na rua. Tal nunca aconteceu antes, nem mesmo no meu apogeu enquanto atleta». De quem será a culpa? De quem é a culpa que um atleta vice-campeão olímpico 2012 e campeão europeu em 2013 não seja (re)conhecido do grande público?

Carlos Dias
28 Jun 2013

Assim, é muito difícil mudar esta cultura, em que o futebol marca o passo da cadência desportiva. Aliás, até concordo que o futebol esteja na primeira linha noticiosa, mas o que me deixa realmente triste é que outros atletas/modalidades bem mais medalhadas internacionalmente, com muitos mais resultados de topo nas provas da elite mundial, não sejam reconhecidos (pelo público em geral e também pela classe política) pelas suas conquistas e méritos.
Na semana passada tive a oportunidade de constatar o elevado nível competitivo do Campeonato da Europa de Boccia que decorreu em Guimarães. Portugal está de parabéns. A nível organizativo esteve excelente. Mais uma vez a CED (Cidade Europeia do Desporto – Guimarães 2013) conseguiu mobilizar todos os meios para que a organização fosse estrondoso êxito. Simultaneamente os nossos atletas conseguiram brilhantes resultados desportivos.
O cenário do campeonato (o Multiusos de Guimarães, engalanado e multicolor) com 12 campos, a dinâmica organizativa, o equilíbrio competitivo, o apoio dos familiares e amigos, a participação massiva dos países europeus (135 atletas de 23 países, número recorde da competição) foram as notas dominantes. Os atletas, treinadores e demais comitiva portuguesa terminam este EuroBoccia 2013, em 1.º lugar do medalhário, com 3 medalhas de ouro e duas de prata, à frente de potências como a Grã-Bretanha e Grécia. Assim, a comitiva lusa conquistou 2 medalhas em BC2 (Fernando Ferreira, ouro e Abílio Valente, prata), 1 medalha de ouro em BC3 (José Carlos Macedo), 1 medalha de ouro em pares BC3 (Armando Costa, José Carlos Macedo e Luís Silva) e 1 medalha de prata em equipas. Mesmo os restantes atletas conseguiram resultados de relevo, porque todos ultrapassaram a fase de grupos e foram sucumbindo nas eliminatórias finais.
Os jornais nacionais pouco ou nenhum relevo deram, os jornais regionais realçaram os feitos da comitiva portuguesa, as televisões esqueceram-se, mas estes atletas mereciam muito mais que isso. O trabalho de promoção e divulgação é uma máquina pesada para a modalidade e nesta fase do ano, com o futebol a banhos, não seria difícil canalizar a informação.
O alvitre que eu dou é que, por exemplo, o José Carlos Macedo comece agora a sua participação num programa televisivo, que envolva pessoas do “jet set” do nosso burgo, e provavelmente, os portugueses e a imprensa poderão começar a dar-lhe o devido valor e merecido respeito por tudo o que tem alcançado no panorama do desporto MUNDIAL. O nosso país está neste estado porque, acima de tudo, os valores estão, de facto, invertidos!




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