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Os professores e o desporto

Hoje, se me permitem (e não terá o leitor outro remédio), vou usar este espaço para um assunto que me diz respeito mais diretamente.Tenho um colega e amigo que é colaborador na secção de atletismo de um clube desportivo. Trabalha com jovens. Cada ano que passa, há umas dezenas de rapazes e raparigas que complementam a sua educação escolar com estas atividades desportivas ao mesmo tempo que alimentam sonhos de, um dia, serem atletas de alta competição. No entanto, todos os anos, desses atletas jovens, há alguns (quase sempre os melhores) que abandonam esse clube transitando para outros de maior dimensão. Alguns adeptos sentem-se frustrados porque vão reforçar outros clubes em detrimento do seu.

Manuel Cardoso
27 Jun 2013

No entanto, esse meu amigo não fica muito preocupado com isso. Porquê? Porque a maioria dos clubes que apoia as chamadas modalidades amadoras, nada lucra com isso; se promove modalidades como o atletismo, é para desempenhar um notável serviço público que poucas vezes é reconhecido. Mas o meu colega que vê os miúdos darem “o salto” para outros clubes, também não fica chateado, porque não está a trabalhar para formar campeões, não está a trabalhar para ganhar dinheiro, não está a trabalhar para explorar as capacidades dos miúdos em proveito próprio ou do clube. Ele está ali porque tem vocação para trabalhar com jovens. O seu trabalho permite evitar que centenas de jovens se percam pelas ruas ou pelos caminhos esconsos do mundo atual.
Porque esse meu colega é PROFESSOR.
Numa semana em que tanto se tem falado dos professores, em que tanta tinta correu, tantas mentiras se disseram e tantos disparates se fizeram passar por “opinião informada”, convinha que as pessoas soubessem o que fazem realmente os professores, nomeadamente no que respeita à prática desportiva. Já nem falarei de outras atividades, porque transcendem o âmbito deste artigo. Mas veja-se, por exemplo, o caso de sucesso e de indubitável utilidade pública que é o Desporto Escolar.
Basta ver o programa desportivo da RTP2 aos sábados de tarde para avaliar o impacto do desporto escolar na vida de milhares de jovens por este país fora, incutindo-
-lhes um enorme entusiasmo pela prática desportiva. Este trabalho, ao contrário do que muitos possam pensar, não é remunerado. Muitas vezes implica que os respetivos professores façam centenas de quilómetros aos fins de semana em viatura própria, sem qualquer subsídio ou compensação financeira. E fazem-no porquê? Porque trabalham PARA os alunos. Porque é essa a sua vocação e o pagamento que recebem é a satisfação pessoal de fazer estes jovens mais felizes.
É por tudo isto que é muito doloroso ouvir determinadas opiniões ou insinuações sobre a forma como os professores implementaram as formas de luta que hoje terminam. É doloroso ouvir insinuações de que prejudicamos os alunos em proveito próprio… na minha mentalidade de professor, tudo quando possa fazer conscientemente, é em nome do benefício dos alunos. Seria bom que muitos pais entendessem que o professor não é só aquele que toma conta do seu filho durante umas horas do dia; que a escola não é só o sítio onde se despeja o aluno de manhã e se vai buscar à tarde.




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