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Os (in)adaptados somos nós

Em período de banhos para a maioria dos futebolistas, nem assim os media nacionais conseguem sair da teia em que eles próprios se deixaram enredar, (des)valorizando o que realmente interessa no que ao desporto diz respeito. A ignorância sobre o dever de (in)formar, atingiu o auge no período de 15 a 22 deste mês. Em Guimarães, Capital Europeia do Desporto, decorreu o Campeonato Europeu de Boccia com a presença de 135 atletas de 23 países. No entanto, e por omissão dos media, a maioria dos portugueses, políticos incluídos (senão, estou certo, estariam lá na entrega das medalhas) não teve conhecimento que o nosso país foi o que obteve melhores resultados, através da conquista de cinco medalhas (três de ouro e duas de prata) em provas de equipas, pares e individuais, o que significa que não temos apenas um atleta de referência (José Carlos Macedo, com duas medalhas de ouro), mas vários, como o comprova a excelência destes resultados.

Carlos Mangas
27 Jun 2013

Reduzir um Europeu destes à contabilidade das medalhas era ser demasiado “político”, pelo que entendo dever valorizar e divulgar o que mais me marcou nos dias em que tive oportunidade de assistir ao vivo (única forma possível) a este Europeu.
Antes de mais, a excelência das condições do pavilhão multiusos de Guimarães e da enorme frota de autocarros adaptados para pessoas de mobilidade reduzida, que serviram de apoio a todas as delegações, o que prova que eles existem no nosso País, e podem e devem ser postos ao serviço de quem deles necessita.
A exigência, quer em termos técnicos quer em termos táticos, da modalidade, que o espectador (como era o meu caso) não habitual aprende a valorizar e vai descobrindo no decurso dos jogos bem como a contagiante alegria dos participantes vibrando com os seus sucessos ou dos colegas de seleção.
Outro dos factos que entendo dever salientar foi a qualidade dos (poucos mas bons) adeptos presentes. A maioria deles, familiares e amigos dos atletas em prova, demonstraram enorme respeito por todos os competidores, quer através do silêncio que se fazia nas bancadas, quando de uma jogada mais decisiva, independentemente da nacionalidade dos atletas, quer pelo aplauso e incentivo após uma jogada mais brilhante. Todos vibravam, naturalmente de forma mais intensa com os resultados dos seus, mas não se coibiram de aplaudir os adversários, quando estes eram os vencedores.
Senti-me ainda mais chocado, quando no fim de semana em que terminou este europeu, e através de zapping televisivo procurava referências ao mesmo, encontro um canal a dar destaque às férias de CR7 no Gerês, com filmagens à distância. Como é possível, um conjunto de profissionais da informação e respetivos meios técnicos, desperdiçarem um dia para filmar à distância, um mini-
-passeio familiar numa albufeira, em detrimento de ali bem perto divulgarem o sucesso de um Europeu e de atletas “especiais” na Capital Europeia do Desporto.
Atendendo à qualidade dos jogos, ao empenho e concentração dos atletas e à alegria e apoio constante dos familiares e amigos presentes nas bancadas, cabe-me afirmar que os inadaptados somos nós, e a nossa imprensa “especializada” quando do alto da nossa dita normalidade, não sabemos divulgar, valorizar, aplaudir e incentivar estes ATLETAS DE CORPO INTEIRO. É tempo de (todos) acordarmos para o que realmente importa.

Ps. Parabéns à APD/Braga pela dobradinha, juntando o campeonato nacional de basquetebol em cadeiras de rodas, à taça que já havia ganho.




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