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Mais “fundos” para o novo riquismo?

É vício antigo este nosso de, em tempos de abundância, em vez de enriquecermos o país, enriquecermos algumas pessoas! Quem conhece a História de Portugal não se fartará de encontrar exemplos paradigmáticos desta triste realidade. A que se junta uma outra: em tempos de míngua, os ricos costumam ficar mais ricos, e os pobres costumam ficar mais pobres… O exemplo mais recente, na nossa História, que me leva a retirar as conclusões acima expressas, ocorreu nos últimos 25 anos, após a entrada de Portugal na (então) Comunidade Europeia.

Victor Blanco de Vasconcellos
27 Jun 2013

Neste último quarto de século (mais concretamente entre 1985 e 2012), o nosso país recebeu, em média, 9,5 milhões de euros por dia (repito: 9,5 milhões de euros/dia!). O objetivo desses fundos comunitários seria o de ajudar Portugal a atingir patamares de riqueza que nos permitissem um “emparceiramento” com a média dos países comunitários, designadamente ao nível das infraestruturas de produção.
O que fizemos nós com esse (imenso) dinheiro proveniente da CEE/União Europeia? Algumas autoestradas desnecessárias (de que beneficiam certas empresas de construção civil, com “rendas” chorudas extorquidas ao Estado); uma série de estádios de futebol (alguns dos quais, agora, se encontram às moscas e a gastar ao erário público uma verba assustadora na sua manutenção); uma Expo/98 cujas estruturas, na sua maioria, foram, depois, “cedidas” a especuladores imobiliários (que as destinaram a habitações de luxo, só acessíveis a milionários e a empresas da alta finança); e, finalmente, milhares de (supostas) ações de formação, presumivelmente de natureza profissionalizante, que deram muito dinheiro a ganhar a algumas pessoas (e cujos formandos pouca rentabilidade conseguiram retirar delas)…
Quanto ao mais, grande parte desse imenso dinheiro que nos foi chegando dos fundos comunitários serviu para dar algumas “esmolas” aos pequenos produtores agrícolas para que deixassem de produzir; serviu para investir em indústrias cujos donos, antes de declararem falência, adquiriram automóveis “topo de gama” e moradias de encher o olho; serviu para “financiar” grandes empresas de construção de imóveis que, depois, através da banca, forçavam os particulares a comprar casa em vez de optarem pelo arrendamento; serviu para financiar bancos e para “tapar buracos” mas contas públicas, nomeadamente em serviços estatais cada vez mais burocráticos, morosos e ineficientes…
Anuncia-se, agora, nova “dose” de fundos comunitários (para o período 2014-2020). Que fará o Estado com esse dinheiro fresco, proveniente da União Europeia? Continuará a fazer o que tem feito ao longo da nossa História? Continuará a aproveitar essa “abundância” para enriquecer alguns, em vez de enriquecer o País? E continuarão, depois, os pobres a “pagar as favas” que não comeram?




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