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Não há duas sem três

Ao longo dos tempos, na sua imensa sabedoria, o povo foi-nos legando adágios, rifes, aforismos, ou anexins sempre encerrando um pensamento moral, uma lição para a vida, não fora a assertiva evidência de que voz do povo, é voz de Deus. E que são os conhecidos, e sempre atuais, ditados populares que enchem páginas e páginas de revistas e livros, em forma de provérbios e presentes estão no nosso dia a dia. Quem não se lembra, por exemplo, dos pertinentes Quem não trabuca não manduca, A falar é que a gente se entende ou quem muito dorme pouco aprende? Eram, na nossa infância e nos livros escolares, mensagens pedagógicas e educativas e sempre bem presentes na ação de pais, educadores e pedagogos.

Dinis Salgado
26 Jun 2013

Mas, para o que, hoje, aqui nos traz, a talho de foice vem aquele ditado de que Não há duas sem três e usado é, quando queremos, tão-só, designar a teimosia e persistência de quem não desiste facilmente dos objetivos que persegue ou dos projetos que se propõe alcançar. E como o nosso universo político pródigo é em abandonos e fugas de funções e mandatos (casos ainda recentes de António Guterres, Durão Barroso e José Sócrates), nada mais urgente e oportuno o tratamento e registo deste rifão, aqui e agora.
Pois bem, na sua terceira tentativa de conquista da presidência da Câmara Municipal de Braga, o cabeça de lista da Coligação Juntos por Braga bom exemplo é de persistência e resiliência, patentes no dito aforismo de que Não há duas sem três. E, afinal, uma pedrada é no charco do oportunismo, facilitismo e aventureirismo políticos que pelo país têm imperado, mormente nas candidaturas a tudo que implique poder. E, como tal, esta atitude do candidato da coligação Juntos por Braga merece um lugar de referência na história da nossa ainda jovem, mas já tão esclerosada, democracia.
Depois, as cidades modernas querem-se dinâmicas, livres, solidárias, coesas e, mais que tudo, devem ser o epicentro de uma vida multifacetada. E a nossa (augusta, dos Arcebispos, bimilenar e barroca) cidade não pode fugir à e, porque plasmada tem estado no tempo, precisa de dar o salto qualitativo e integrado que define a vida urbana do futuro.
O que, necessariamente, passa pela regeneração, repovoamento e maior mobilidade de pessoas e veículos no seu centro histórico, por uma política de estacionamento automóvel que chame as pessoas ao comércio tradicional do seu casco urbano, pela diferenciação da oferta de produtos das lojas de rua, pela valorização da habitação no centro e pela recuperação e dinamização dos antigos e primeiros centros comerciais.
Enfim, uma cidade cosmopolita e inclusiva sob o ponto de vista humano, social, espacial e territorial. E que são sinergias e vetores que os 37 anos de poder monolítico e autocrático, mais apostado na política do cimento e do alcatrão, da descaraterização de espaços e paisagens e da deslocalização da cidade, humana e física, para as periferias, irremediavelmente adiaram e esqueceram.
Assim, porque Não há duas sem três, será que, como igualmente o povo diz, Às três é de vez para o candidato da Coligação Juntos por Braga? Penso que a maioria dos verdadeiros bracarenses, que mais do que tudo amam a sua cidade, anseiam pela necessária renovação, inovação e mudança que lhes restituam uma cidade moderna, segura, apelativa e onde seja bom viver. E talvez, assim, possam deixar de licitamente perguntar:
– E bom viver em Braga?
E logicamente responder:
– Só pr’alguns! Só p’ralguns!
Então, até de hoje a oito.




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