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Ao Encontro da Luz

O filósofo alemão Max Scheler, desafia-nos à descoberta daquela resposta que satisfaça esta teimosa questão: – O que é o homem? Uma vez descoberta, está justificado o acesso para Deus, diz Scheler. Eu direi, se Scheler o não disse, que a resposta ajustada a tal questão tem de envolver a investigação acerca do homem na sua plenitude. Desconheço se a Alemanha teve em consideração o pensamento, aqui transcendental, de Scheler, acerca da constante procura desta satisfação e do acesso para Deus. Esta satisfação e acesso para Deus devem ser assinalados em Munique, sua terra natal, se ainda o não foram, com uma lápide, um busto ou monumento.

Benjamim Araújo
26 Jun 2013

Quais são os patins que me levam a descobrir o homem até ao ápice da sua plenitude? Como o professor de Geografia, que toma em suas mãos o ponteiro para assinalar, no mapa, uma determinada trajetória, assim eu, com o ponteiro da minha atenção, vou começar por sublinhar a necessidade da convivência com o mundo, a necessidade da observação, tanto interna como externa, a necessidade da mente? até encontrar a porta da meditação que, uma vez aberta, nos integra na intuição e nos estimula à contemplação do nosso ôntico e verdadeiro ser. Não vou dar tréguas às exigências impostas pela nossa plenitude, que ordena, imperativamente, à conexão, sintonização e cooperação das ciências e das artes (em todas as suas modalidades e vertentes), com a sabedoria e a beleza. Estas fazem sala no nosso íntimo, que está para além do tempo e do espaço.
O homem existencial, que somos todos nós, vai afanosamente ao encontro do seu pleno espírito, que está para lá da mortal roupagem biopsíquica. Sob esta roupagem pulsam o corpo e a alma, manifestadores intransigentes do espírito. Para mim, o povoador do universo é o homem pleno, em toda a sua globalidade, conexão, sintonia e cooperação, o qual tem a capacidade de intuir e ter acesso a? É precisamente do acesso e da intuição que me vou ocupar.
O homem, no seu estado existencial, ao descobrir, em si, a plenitude do seu autêntico ser, tem acesso às suas potencialidades ativas e intui, nelas, o resplendor da luz, a beleza, felicidade, vida e amor, na sua verdadeira autonomia e liberdade; intui a paz repousante? Intui também, nas suas potencialidades ativas, a sua semelhança com Deus transcendente. Por isso, como muito bem diz Scheler, o homem abeira-se de Deus. Nas mesmas potencialidades intui as relações de amor, paz, vida? Assim, através delas, abre-se-lhe o acesso aos relacionamentos com Deus, como afirma Scheler, consigo mesmo, com o outro e com o mundo.
A religiosidade e a sociabilidade brotam, espontaneamente, da nossa autêntica natureza. Assim, durante a nossa existência, a religião e a sociedade, impõem-se ao homem, categoricamente, com os seus ditames e ordens.
A sociedade é uma construção da razão com fundamento no indivíduo real. Então, todo o labor da sociedade tem por objetivo a realização do indivíduo e este tem por objetivo um outro qualquer indivíduo. Então a sociedade, liberta dos seus preconceitos, tem de velar pelos direitos e deveres dos indivíduos, sem qualquer exceção.
O homem existencial, ao descobrir, em si, a unicidade do seu ser autêntico, intui a original igualdade entre todos os indivíduos, abrindo-se-lhes assim o acesso à vivência integrada na globalidade dos homens.
A nossa consciência global justifica e reconhece que toda a positividade da nossa vida vai ao encontro da luz, que emana da fonte autêntica da nossa verdadeira natureza e que para a vida se dirige, mergulhando no oceano do amor de Deus.
O critério de verdade e valorização da Sagrada Escritura, no que tem de humano, resulta do seu ajustamento pleno ao nosso autêntico ser. Até a conduta de Jesus cá na terra, bem como de Sua Mãe, foram a personificação plena dos Seus autênticos seres.




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