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A cidade que queremos é a das pessoas ou a das tecnologias?

Tem havido nestes últimos tempos, uma quantidade considerável de fóruns temáticos levados a cabo na nossa cidade por organizações de cariz político-partidárias, de cidadania e outras, em torno da formação do ideário social sobre a cidade do futuro. Um modelo que responda a necessidades futuras dos seus habitantes, sendo que algumas dessas necessidades são já presentes. Importa realçar a disputa pela Câmara Municipal de Braga como “mola” de propulsão nesta vertente de importância vital para o futuro da comunidade bracarense, o que, de alguma forma, reflete o pensar de preocupação coletivo sobre esta temática.

António Fernandes
26 Jun 2013

Temática que levanta desde logo a seguinte questão: devem as cidades ser pensadas em função da presumível prevenção de hipotéticas necessidades técnicas estruturais futuras a que as pessoas se limitem a anuir e onde devem ser inseridas?
Ou pelo contrário devem as cidades ser pensadas em função das necessidades das pessoas e que daí resulte pensamento inteligente que coordene técnicas e tecnologias?
Parecendo serem, os dois pontos de vista, de contornos e conteúdo similar, o certo é que o não é.
E não o são porque no que toca à primeira questão, a sua base de suporte e projeto é de origem e conteúdo tecnocrata. Enquanto no que reporta à segunda questão, a abordagem de suporte e conteúdo assenta no raciocínio de gestão abrangente onde as pessoas são o ponto de partida e os equipamentos o ponto de chegada.
Ao longo dos tempos as cidades tem sido o resultado do crescimento em função da concentração populacional visando soluções homogéneas de vida. Desde logo, o emprego como garante de sustentabilidade permissivo à constituição da família. O equilíbrio social, garante da estabilidade. A organização da vida em sociedade que dê respostas exequíveis em todos os domínios da, e para a, vida das pessoas.
Ou seja: não faz sentido pensar uma cidade no seu todo de potencial tecnológico com as ferramentas e soluções disponíveis para que as pessoas se ajustem, como se estas fossem a solução para a implementação experimentalista de inovação e não o problema que exige soluções à tecnologia existente, uma vez que as de caráter exclusivamente humano já não respondem em tempo útil, tendo em atenção especificidade de natureza diversa.
É este exercício que urge fazer. Estabelecer diferenciação entre o pensamento inteligente e o pensamento tecnocrata.
Se um é vocacionado para a análise o outro é vocacionado para a técnica. Sobra a questão sobre se ambos serão complementares.
A que respondo: – De facto, não o são! E não o são porque a génese matricial política é profundamente diferente.
Enquanto no pensamento inteligente os valores que regem o sistema político democrático são tidos como fonte e a liberdade de expressão de condição “sine qua non”. No pensamento tecnocrático tal não acontece. Inclusive, acontece a predominância da “rigidez dos processos” sobre todos os outros, com trajeto histórico na organização das sociedades nefastos para as pessoas.
A que acresce o facto: O pensamento inteligente é compassivo! O pensamento tecnocrata, não!
Daí que aos agentes políticos se deva exigir especial atenção, ou então a opção confessa, sobre qual o modelo político de organização municipal que pretendem, para implementação na gestão do Município a que se candidatam. Se o modelo onde a ciência política enquanto somatório dos exercícios da vida das pessoas de que trata a ciência social, predomine. Ou um modelo onde a tecnocracia enquanto sistema de organização política e social fundado no predomínio dos técnicos, impere.
O tempo presente já se não compadece nem sujeita a experimentalismo resultante de ignorância, que deu mostra quanto baste em ser a pior solução, uma vez que os custos da sua correção são incomportáveis e tornam os factos consumados. O tempo presente exige seriedade na abordagem processual e domínio do conhecimento científico suficiente.
Entre a cidade do ideal e a cidade do apocalíptico existem dúvidas e incertezas. Dúvidas e incertezas que fazem História alimentando os sonhos dos Homens e onde os agentes políticos em particular têm responsabilidade acrescida na persecução desses sonhos enquanto cidadãos iguais.
Depreende-se por isso, que o interesse científico (político e social) colide com o interesse técnico de automação do Homem.
Neste contexto, é importante para o cidadão eleitor que o “norte” de cada candidato seja claro!




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