Fotografia:
Votava naquele

As autárquicas são, no meu entendimento, um misto de escolhas locais e ajuste de contas com o governo em funções. Infelizmente não deveria ser assim porque a escolha dos candidatos locais nada tem a ver com o bom ou o mau governo nacional. Não é porque o governo em funções é bom que o candidato da mesma cor dê garantias de ser igualmente bom. E o contrário é precisamente igual, isto é, não é por um governo ser mau que o candidato local tem de ser forçosamente mau. Há que distinguir as coisas como numa salada de frutas. O que é maçã é maçã e não sabe a pêssego por muito que estejam na mesma taça. Nunca assumi por verdade que os pecados dos pais caíssem sobre a cabeça dos filhos.

Paulo Fafe
24 Jun 2013

Uma coisa nada tem a ver com a outra a não ser que se queira dizer como  na fábula, “se não foste tu foi o teu pai”. O autarca deve ser aquele ou aquela que, em consciência, se nos apresenta com mais possibilidades de cumprir o que promete. Não é o que mais promete porque quem muito promete muito falta. Como vota a povo? Uma amiga afirmava: “as mulheres votam por fotografia, isto é, olham para os cartazes e pela fotografia fazem a sua escolha”. Eu julgo que não só as mulheres votam pela aparência, também há homens que votam na códea sem avaliar o miolo. O povo diz que quem vê caras não vê corações, mas a verdade é que o coração não se vê assim à primeira vista e a cara é a primeira montra da pessoa. Há quem diga que a cara é o espelho da alma porque nela se refletem as alegrias e as tristezas, mas o fingimento também; há máscaras que afivelamos às caras, que ocultam muitos dos sentimentos que fervilham no interior, num carnaval social permanente. Isto vem a propósito de dois cartazes que estão expostos, quase lado a lado, na rotunda das piscinas. Estão lá o Vítor Sousa e o Ricardo Rio. Um dia, essa minha amiga, veio a Braga, a uma reunião de curso; perguntei-lhe em qual dos dois votaria apenas pela fotografia do cartaz. Olhou e disse: naquele, e apontou. Porquê? “Porque ele olha mais para o longe. Descodifica: “quem olha para o longe procura novas conquistas e não se contenta com o conquistado.” Sempre esta senhora se expressa em ironia metafórica, deixando-nos na franja da adivinhação. Desculpar-me-ão os dois candidatos mas foram estas as apreciações (sic) da minha amiga que reside em Vila do Conde, onde também vai haver render de cadeira; não apareceram por lá cucos como em Lisboa ou no Porto. Os cucos em Braga também emigraram, felizmente, a não ser que Mesquita Machado ponha ovos noutro ninho de cuco como o seu colega socialista vimaranense, aceitando  presidir à assembleia municipal. Sempre continuaria a ser presidente mesmo que dos pequeninos! A gente vê e pasma, e sem razão, porque conhecendo nos ex a atração pelo poder, mesmo que mindinho e, acima de tudo, o terror de voltar a ser ninguém, já não deveria espantar-se. Alguns passam a assessores, (outro ninho de cuco), como futebolistas que depois de irem para a prateleira passam a treinadores de guarda-redes. Os cartazes têm força, pelos vistos até são interpretativos. Parece provar-se que sempre há quem escolha por cartaz. Para quem conhece os candidatos o cartaz apenas faz lembrar o arraial. São como as iluminações de rua. Fosse eu conselheiro e não cronista, isto é, modesto relatador de factos e diria que o cartaz é tão necessário aos candidatos como a cosmética para as mulheres.




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