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Coragem

Em meados de 2013, num ano de novo embate eleitoral autárquico, evidenciam-se naturais movimentações para a renovação, inevitável, da liderança de um município que hoje assume, no plano eleitoral, uma relevância que Lisboa continua a não querer dar. Mesmo sem uma cobertura política nacional bem visível na apresentação da candidatura que o Dr. Ricardo Rio oficializou recentemente, o que pode revelar pensar estratégico mas talvez prejudique mais do que favorece, não deixa de ser um ato de inegável coragem a sua disponibilidade e opção para se assumir de novo, pela terceira vez, como o rosto de uma oposição.

Marco Ribeiro e Silva
23 Jun 2013

A sua tarefa é complicada, independentemente dos apoios que possa, ou não, exibir.
Após mais de 12 anos de embates públicos, políticos, partidários e eleitorais, grande parte dos bracarenses não consegue associar uma ideia ao rosto, uma visão ao projeto, a essência de um propósito à sua vontade que, contudo, transparece.
Por outro lado, volvido tanto tempo, a estratégia a operar transparece como a mesma do passado, o que, pelo seu exemplo, se revelou pouco consequente, apesar de um distanciamento eleitoral encurtado por uma novidade que agora já não colhe.
Há, no entanto, uma mudança significativa a realçar: uma equipa refrescada, que pode representar o novo ânimo onde tudo e todos se poderão rever.
O desafio é difícil e a dinâmica terá, necessariamente, que ser diferente, considerando a tendência das massas em aceitar o sucessor de um edil marcante, algo muito complicado de combater como se pôde apurar em 2009 nos exemplos próximos de Ponte de Lima e Viana do Castelo, e um governo nacional que, independentemente dos propósitos, sempre afeta os intentos autárquicos de uma coligação que o sustenta.
Podem outras candidaturas à esquerda, que evidenciem distinta sustentabilidade e acolhimento, baralhar as contas que de momento se fazem, mas deve, quem se apresenta a sufrágio, desde já, evidenciar, de modo claro e manifesto, o que defende para um mandato que se sabe exigente e escrupuloso, para que a opção cívica de um concelho possa refletir o futuro sustentado que tudo e todos, por Braga, naturalmente ambicionam.




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