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Thomas More – Um Santo que desobedeceu…

Henrique VIII, rei de Inglaterra, era casado com Catarina de Aragão e não tinha filhos homens, apenas uma mulher. Alegando este facto, pediu o divórcio, para se poder casar com uma jovem cortesã inglesa, Ana Bolena. Como o Papa não lhe concedeu autorização, em virtude da sua esposa legal ainda estar viva, o monarca cortou relações com a Igreja Católica Romana, declarou a dissolução dos mosteiros, confiscou os seus bens e fundou o anglicanismo, o qual tornou religião oficial da Inglaterra.

Maria Susana Mexia
22 Jun 2013

Concentrando em si o poder de chefe de Estado e espiritual, como entidade superior da nova religião, já não precisava de obedecer a ninguém, nem ao Papa, facto que o levou a inúmeras excentricidades, a realizar mais cinco casamentos e a mandar matar quem entendesse. Foi excomungado por Clemente VII em 11 de julho de 1533.
Sir Thomas More (1478-1535) era um advogado respeitado, honrado, competente e exerceu por algum tempo a cátedra universitária. Fez parte da Câmara dos Comuns da qual foi eleito presidente. Foi nomeado Under-Sheriff de Londres e juiz membro da Commission of Peace. Entrou para a corte de Henrique VIII em 1520 foi várias vezes embaixador do rei e tornou-se cavaleiro em 1521. Foi nomeado vice-tesoureiro e depois Chanceler do Ducado de Lancaster e, a seguir, Chanceler da Inglaterra.
Mas Thomas More, era católico, não aceitou a nova religião e, em 1532, pediu demissão do cargo e recusou-se a assistir à coroação de Ana Bolena, bem como a prestar fidelidade aos seus descendentes. 
Henrique VIII condenou-o a prisão perpétua e depois à morte por crime de alta traição. Foi decapitado em 1535.
Pela sentença o réu era condenado “a ser suspenso pelo pescoço” e cair em terra ainda vivo. Depois seria esquartejado e decapitado. Em atenção à importância do condenado o rei, “por clemência”, reduziu a pena a “simples decapitação”. A sua cabeça foi exposta na ponte de Londres durante um mês, foi posteriormente recolhida pela sua filha, Margaret Roper.
Devido à sua rectidão de pensamento e exemplo de vida cristã, foi reconhecido como mártir, declarado beato em 29 de dezembro de 1886 por decreto do Papa Leão XIII e canonizado em 9 de maio de 1935 pelo Papa Pio XI.
Deste filósofo, autor da imortal Utopia, Erasmo disse: “É um homem que vive com esmero a verdadeira piedade, sem a menor ponta de superstição. Tem horas fixas em que dirige a Deus suas orações, não com frases feitas, mas nascidas do mais profundo do coração. Quando conversa com os amigos sobre a vida futura, vê-se que fala com sinceridade e com as melhores esperanças. E assim é Thomas More também na Corte. Isto, para os que pensam que só há cristãos nos mosteiros.”
O seu dia festivo é 22 de junho.




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