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Desplante! Ou má consciência?

Se passarmos os olhos pela história recente deste país, poderemos ver que há páginas enegrecidas com incompetências, com lutas desenfreadas pelo poder e com jogos conspirativos bem adubadas com escândalos, negócios nebulosos e corrupção quanto baste. A democracia nacional também tem, infelizmente, destas coisas: muito desplante, sobranceria, irresponsabilidade e impunidade.

Armindo Oliveira
22 Jun 2013

Os políticos, os maus políticos, tomaram conta dos lugares cimeiros da nação e conduziram-nos estupidamente para o abismo. O resultado dessas políticas oscilatórias desaguaram, como era previsível, numa situação social e económica deprimente, onde o futuro das camadas mais jovens está bastante comprometido e se vêem compelidos e aconselhados a zarpar para os caminhos da emigração e do ócio forçado. Atingimos, de facto, um nível insustentável de desemprego, de endividamento e de desindustrialização. Era perfeitamente impensável que tal coisa viesse a acontecer, um dia, a este povo e a este país. Mas, a realidade, nua e crua, está bem patente diante dos nossos olhos e é bem sentida nas agruras do quotidiano.
Hoje, temos um país sem chama, sem confiança e sem dinheiro. Um país desmoralizado que claudica e se verga perante as exigências impostas pelos credores que, sem piedade, nos impõe o jugo da austeridade, da infâmia e da pobreza. A economia chegou a tal ponto de degradação que a inversão desta triste realidade é praticamente impossível, uma vez que só o custo dos juros afoga todo o esforço e todos os sacrifícios que se façam ou possam vir a ser feitos. Embarcamos ingenuamente nas tretas e nas ilusões de gente que nos vendia barato o Estado Social e o Serviço Público a troco de votos. Estamos sinceramente tramados!
Agora, a casta de “coveiros” que enterrou as esperanças dos portugueses apela, freneticamente, ao perdão da dívida, à negociação dos juros, à saída do euro e ao “parem com a austeridade”. Como é possível esta gente de memória curta se esquecer que são os responsáveis directos no desastre de Portugal? Como é possível esta gente andar a agitar as massas, ressuscitar o fantasma das intervenções militares e das revoluções, quando foram eles que ergueram a bandeira da bagunçada e das políticas demagógicas que assentavam em pressupostos oportunistas para a manutenção ou tomada do poder?
O desplante ou a má consciência chega a tal ponto de incompreensão que ficamos rendidos às mobilizações caquécticas em Aulas Magnas para se confeccionar um caldo esturrado que se torna intragável pela qualidade do cozinheiro e pelos ingredientes envolvidos! O desplante chega a tal ponto que querem trespassar o ónus das dificuldades de uma austeridade severa para uma Coligação eleitoral que não contribuiu em nada para o estado depauperado de uma autarquia que se alapou ao poder há dezenas de anos! Uma coisa é criticar ou censurar a acção nefasta (?) do governo, outra coisa bem diferente é colocar as listas autárquicas provenientes dos mesmos partidos no mesmo patamar. É uma falta de clareza democrática misturar estas duas realidades. Isto é má consciência.
No período eleitoral que se aproxima, há de facto “investimentos municipais” que deveriam ser objecto, ainda hoje, de reflexão para não se cair nos mesmos erros. O estádio da Pedreira, obra de 145 milhões de euros, representa uma mais-valia para o município? Os 8 milhões de euros enterrados na famosa “piscina olímpica” no bucólico Parque Norte era uma necessidade para a cidade? A construção dos campos sintéticos que se semearam em tudo o que era “pelado” era fulcral para o desenvolvimento do futebol local? São estes e outros “investimentos” sem retorno, sem rentabilidade e com custos acrescidos de manutenção que deveriam preocupar os responsáveis por tais decisões. Isto não é economia. Isto é megalomania, exibicionismo e vaidade. As extravagâncias pagam-se caro nos tempos de hoje.




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