Fotografia:
Devassidão

O baralhado (que foi) e sôfrego (católico depois) G. Papini, no seu livro “Relatório sobre os homens”, afirma: “Todos tentam extrair dos outros mais do que podem: os industriais dos compradores – os patrões dos operários – os operários dos patrões, etc. –, e dar o menos que podem – e como todos fazem o mesmo, a vida é uma contenda, um engano – sem vantagem para ninguém”. Papini viveu até à primeira metade do século passado e talvez nunca tenha pensado que no ano de 2013 existiria um Parlamento Europeu onde se faz política, convivem e reúnem os senhores da Europa, que, com divergências normais entre si, ainda há alguns que respeitam o povo, os votos, querem os ricos menos ricos para que haja menos pobres e muitos até serão crentes em Deus.

Artur Soares
21 Jun 2013

E porque assim é bem, não admira que uma dúzia destes honestos servidores da política, em pleno Parlamento exibiu há semanas atrás cartazes contra a troyca e se lia: “tirem as patas de cima de Chipre, Portugal, Grécia, Espanha e Irlanda”.
A foto que mostra estes bravos do pelotão tem corrido toda a Europa e nem os nossos grandes jornais nacionais nem televisões comentaram tal atitude destes parlamentares, que é estranho e como se sabe, anormal em democracia.
Portugal apresenta-se no momento que passa, com tons de cadeado, uma vez que qualquer membro do Governo transgride, se entender, as leis e os valores da democracia conseguida em Abril de setenta e quatro. Tais transgressões, como o país já vê “claramente visto” e o sente no estômago, as principais têm sido o monstruoso desemprego, a rapacidade nos vencimentos de reformados e a programação do medo a todos distribuído para reinarem.
Os partidos políticos que fazem nesta fase, oposição… são lentos, caducos, semelhantes, vazios para a resolução dos buracos que nos abafam e como sempre só conhecem o facilitismo.
Recordando o facilitismo ou a incompetência dos políticos da primeira república, estes, foram república porque tiveram de matar o Rei de então. Razão porque o nonagenário (ou perto disso) Mário Soares há dias e referindo-se à austeridade, e ao estilo de qualquer incendiário, afirmou publicamente que “o Rei foi morto (diga-se pela maçonaria) por menos razões” do que aquelas que este Governo tem imposto ao país. Por tal afirmação, testemunha-se aereamente que em 1910 os republicanos não semearam a democracia, não dialogaram para a existência da democracia, não lutaram com civismo para serem república. Foram facilitistas, comodistas: mataram.
É claro que desde a revolução de Abril em Portugal, nunca no país existiu um primeiro-ministro tão facilitista, débil e inexperiente. Nenhum foi Bom servidor, mas este Sr. Passos Coe-lho há de ficar na história pelo negativo serviço; o ministro das finanças – o Sr. Gaspar – circula-lhe nas veias gelo em vez de sangue e, na cabeça contém apenas uma fraca máquina de calcular que falha e afunda Portugal; o ministro dos negócios estrangeiros – o Sr. Portas – foi a desilusão de todos os reformados, foi o homem que até a própria mãe traiu como reformada que, devido à ínfima quantia que recebe (que recebia), obrigada se sente a trabalhar para ter algo mais, conforme publicamente (ela) o afirmou; o ministro da educação – o Sr. Nuno C. – que parece odiar greves justas e em datas oportunas; que parece querer educar a pátria com alunos que decorem a matéria em casa para ter menos professores a exercer; que parece querer alunos a fazer contas de cabeça e a escolher profissões aos dez anos, irrita-se e faz dos professores os escravos dos tempos Romanos. 
Estes governantes, onde a devassidão já é sénior e onde no interior dos seus partidos são contestados – por esfolarem o país e pelo servilismo a estrangeiros, ou como são chamados “senhores do mundo” – não se importam que lhes chamem transgressores da Lei, enguias da Lei, substituidores de Leis conquistadas por outras leis que são predadoras, fomentando, aqui também, a devassidão. E esta é crime!
Não creio que este governo terceiro-mundista termine o ano que corre. Creio bem que já poderá estar em marcha a sua queda. Todavia, as inteligências deste Portugal cansado têm de refletir, apontar soluções eficazes e os eleitores têm que votar em programas económicos sérios, eficientes e estudados, pela evidente verdade de que os nossos partidos políticos estão curvados aos tais senhores do mundo e rodeados de bolor.




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