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Viva o S. João

Ainda sou do tempo em que havia S. João em Braga mais que uma vez por mês. Morava eu na então pitoresca freguesia de S. Vicente quando, aos domingos de tarde, como bandos de pardais na primavera, debandávamos em magotes feitos de entusiasmo pela Avenida abaixo. Cachecóis ao pescoço e bandeiras ao ombro, coração ornado de vermelho e branco, fiéis e entusiastas do nosso SC de Braga, que não era braguinha como alguns o epitetam. Não havia claques nem petardos mas não faltavam as gaitas, pandeiros e bombos da festa. Se calhava de o adversário ser do lado de lá das Taipas, sempre havia umas pedradas a animar a malta e uns berros vernáculos a fazer tremer as pedras da calçada. Mas alegria e entusiasmo é que nunca faltavam.

Manuel Cardoso
20 Jun 2013

Duas horas depois, no regresso, se a coisa tivesse corrido mal a romaria de subida da avenida era silenciosa e só as malguinhas de tinto ou a cerveja fresquinha amainavam as dores. Mas nem por isso deixavamos de pensar que, daí a duas semanas, tudo se repetiria e a festa haveria de voltar.
Era S. João com bifanas e tudo, poeira pelas goelas abaixo, alegria em vez de alho-porro, esperança em vez de martelos de plástico, braguismo em vez de sede de vinho tinto à malga. A descer a avenida, onde todos os santos ajudam, ansiávamos por chegar ao largo do “sãojoaozinho” porque mais dois passos adiante estavam as bancadas de granito, frias como gelo, sem cadeirinhas para atirar ao árbitro, sem cobertura, onde a chuva era aparada por carecas, cabeleiras e capachinhos. Frio, chuva, dinheiro contado ao tostão, derrotas e a segunda divisão à espreita, nada disso impedia este S. João quase semanal.
Saudosismos à parte, era este o desporto que me fascinava; o desporto – festa, o futebol – S.João, em vez deste futebol – milhões e pancadaria a mesmo que hoje vemos na televisão, refastelados num sofá, porque as claques se encarregam de nos afastar do estádio e porque a crise, agora, já não se compadece com festarolas sanjoaninas mais que uma vez por ano.
Este era o futebol festa, o desporto que os nossos avozinhos gregos fundaram nas olimpíadas que eram festas de convívio e amizade entre povos.
Portanto, meus amigos, no próximo fim de semana, o melhor é voltar a praticar este desporto de poeira na goela, da malga do vinho tinto e da sardinha a pingar colesterol, da fêvera mal passada e da fartura carregada de óleo queimado.
Eu sei que o S. João, mais do que nunca, vai de tanga. Aliás, vamos todos de tanga. Mas não há nada melhor que uma noitada de tanga em tempo quente para esquecer a “tanga” que o Governo nos dá. Comamos e bebamos, folguemos e martelemos porque isto sim, é desporto popular, saudável, que rejuvenesce a aquece o peito à gente.
Feliz S. João, portanto, para todos os caríssimos leitores do Diário do Minho. E para os outros também, já agora.
 




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