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Exames dividem portugueses

Mais uma vez, a propósito dos exames nacionais dos ensinos básico e secundário, os portugueses ficaram divididos. De um lado, aqueles que consideram legítimo que os professores lutem por um ensino público de qualidade e por direitos profissionais que julgam nucleares para esse efeito; do outro lado, aqueles que pensam que o direito à greve não pode (não deveria) prejudicar os alunos. Não restam dúvidas de que não é fácil para ninguém colocar-se a favor ou contra as partes em conflito. Pela simples razão de que, quer de um lado quer do outro, há fortes argumentos em prol das causas “beligerantes” neste processo.

Victor Blanco de Vasconcellos
20 Jun 2013

Uma realidade me parece, no entanto, óbvia – e com a qual, julgo, todos estarão de acordo: na situação económica e financeira em que o país se encontra, continuar a dividir os portugueses em “bons” e “maus” a ninguém beneficia. E muito menos beneficia ao atual Governo. Pela simples razão de que continuar a colocar portugueses contra portugueses (neste caso concreto, professores contra pais e alunos) é lançar mais achas para uma “fogueira social” cada vez mais inflamada, como se tem visto pelas manifestações públicas de hostilidade ao Executivo de Passos Coelho que se têm vindo a agudizar de dia para dia.
Penso, por isso, que o discurso “divisionista” de alguns membros do Governo, a propósito dos exames nacionais, só pode ter maus resultados. E isso teria sido evitado se o Ministério da Educação, na defesa dos alunos e dos pais (que diz “professar”) tivesse adiado para hoje, dia 20 de junho, a realização das provas de Português e de Latim – conforme proposta do Colégio Arbitral, cuja decisão (estranhamente…) o Governo não aceitou, depois de concordar com a análise do processo por parte do referido Colégio. Aliás, ao recorrer para a Justiça Administrativa, o Ministério da Educação veio demonstrar que comissões e tribunais arbitrais, cuja existência tem defendido em prol da diminuição dos processos nos tribunais “comuns”, não passa de conversa fiada…
Se o Prof. Nuno Crato tivesse adiado para hoje a realização dos exames agendados para a passada segunda-feira, teria contribuí-do, na minha ótica, para apaziguar os ânimos, que tão exaltados andam nas escolas – chegando ao ponto de colocar alunos “contra” alunos, como ocorreu em Braga, na Escola Sá de Miranda!
Além disso, ao agendar a realização dos exames de Português e Latim para 2 de julho (para os alunos que os não puderam efetuar no dia 17), o Governo, que diz que “não há dinheiro para nada”, vai gastar muitos milhares de euros na impressão de novos enunciados. Terá valido a pena o “braço de ferro” do Executivo? Não creio.




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