Fotografia:
As limitações do ser humano (III)

O homem deve aproveitar as suas capacidades, mas reconhecendo as limitações que estão implícitas na natureza finita de que é composto. Por isso, a força de vontade de cada um de nós não pode degenerar numa sobrevalorização pessoal e numa vaidade balofa que nos pode arrastar, para uma inércia prejudicial a nós próprios e à comunidade que integramos. O Dr. David Harold Fink escreve: “As limitações fazem parte da natureza das coisas, tal como as rachadelas são próprias da loiça e as cicatrizes e manchas do corpo. A sabedoria vem do conhecimento das próprias limitações.

Artur Gonçalves Fernandes
20 Jun 2013

A felicidade vem da aceitação optimista dessas limitações.” Ao invés, quem estiver atento ao que se vê ou se ouve diariamente, observa uma presunção que se exprime sem o menor pejo. Basta assistir aos programas, quer televisivos, quer radiodifundidos, ou ler as notícias na imprensa escrita, onde os comentários dos ditos peritos generalistas e putativos sabedores em tudo são eivados de erros grosseiros. Não pensam na figura que fazem, pois as asneiras são enormes e óbvias. Levam tudo preparado, não dispensando “os auxiliares de memória” que, muitas vezes, leem, até um pouco disfarçadamente. E, quando os obrigam a sair daquilo que antecipadamente anotaram, a atrapalhação e o desnorte invadem as suas expressões verbais, titubean-
do e caindo, muitas vezes, no ridículo. No entanto, e por outro lado, todos nós devemos ter presente que, dentro das nossas possibilidades de autoconfiança, o futuro não tem limites. Esta descoberta é o primeiro passo para termos uma ideia real de nós próprios: quando sabemos que podemos ser mais do que pensamos, quando não pensamos bem de mais das nossas possibilidades ou as subestimamos e, sobretudo, quando não nos sentimos superiores ou inferiores ao que somos e vamos sendo no nosso caminho de progresso que deve ser contínuo e discreto. A via mais direta para encontrar o nosso lugar na vida e determinar o objetivo do nosso aparecimento no mundo é descobrir, por um lado, as nossas limitações o mais cedo possível e, por outro, rentabilizar bem as nossas capacidades. Quando sabemos até onde podemos ir e desenvolvemos devidamente as nossas potencialidades, viveremos uma existência com objetivos bem definidos e, consequentemente, de sucesso. O único meio de nós podermos ser felizes nesta vida terrena e ter saúde mental perfeita é descobrir o que se pode fazer melhor e, depois, tratar de o concretizar.
Recordemos que as grandes descobertas e as importantes revoluções sociais e culturais verificadas ao longo da História foram feitas e implantadas, na sua génese, por poucas pessoas que rendibilizaram ao máximo as suas capacidades e os seus talentos humanos. Citemos, a título de exemplo que a Renascença e a Reforma (e a contra-Reforma) foram espoletadas por menos de cem pessoas. E quantas guerras foram ganhas pela coragem e bravura dos soldados, estimulados e incentivados pelos seus comandantes que, vendo-se, muitas vezes, em inferioridade numérica e dispondo apenas de escassos argumentos bélicos, fizeram proezas próprias de supremos especialistas e de génios. Foi também pela persistência nas suas ideias que grandes homens atingiram a notoriedade. “Quando o homem sonha, a obra nasce”. Todas estas estratégias de reflexão e de ação permitem ao homem supervisionar e selecionar as melhores vias e soluções para a consecução dos fins almejados. Essas metodologias constituem os propulsores que desencadeiam o verdadeiro desenvolvimento nas diversas dimensões humanas. Progredir e vencer na vida exige força de vontade e inteligência, desde que moldadas e coroadas pela humildade, tolerância, discrição e bom senso. É que a luta (que se deseja vitoriosa) pela dignidade humana não se consegue pela arrogância, pela prepotência e pela teimosia insensata, que são, por natureza, aviltantes.




Notícias relacionadas


Scroll Up