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As lições de João Batista

Embora o dia litúrgico de S. João Batista apenas seja segunda-feira, Braga desde há dias se encontra engalanada com o propósito de o festejar. Quem foi, afinal, este Homem, e que testemunho de vida nos legou? A vida de S. João Batista encontra-se nos Evangelhos. Filho de Zacarias e de Isabel, foi concebido quando, humanamente, já não havia esperanças de esta poder vir a ser mãe (Lucas 1, 5-17). Segundo uma antiga tradição viveu com seus pais em Ain Karin, uma aldeia situada a seis quilómetros a oeste de Jerusalém.

Silva Araújo
20 Jun 2013

A certa altura retirou-se para o deserto da Judeia, onde viveu em grande austeridade, e depois foi para as margens do Jordão.
«Trazia um traje de pêlos de camelo e um cinto de couro à volta da cintura; alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre» (Mateus 3, 1-17; Marcos 1, 1-11).
 
Primo algo afastado de Jesus, teve como missão preparar as pessoas para O receberem. É chamado, por isso, o Santo Precursor.
Pregou um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados.
«Depois de mim, anunciou, vai chegar outro que é mais forte do que eu, diante do qual não sou digno de me inclinar para lhe desatar as correias das sandálias. Tenho-vos batizado em água, mas Ele há-de batizar-vos no Espírito Santo».
Reconheceu em Jesus o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1, 19-30). E perante a discussão levantada entre os seus discípulos afirmou, referindo-se a Jesus: «Ele é que deve crescer, e eu diminuir» João 3, 22-36).
Alertou as pessoas para os erros que iam cometendo, exortando-as ao arrependimento e à conversão.
 
Um dos alvos das suas advertências foi o rei Herodes Antipas, que vivia escandalosamente, tendo raptado Herodíades, esposa de seu irmão Filipe. Não te é lícito, disse o Batista a Herodes, viver com a mulher do teu irmão.
Descontente com a denúncia, Herodes foi-o tolerando, até porque simpatizava com ele, considerando-o justo e santo. Mas instigado por Herodíades, que odiava João, mandou prendê-lo e algemá-lo na fortaleza de Maqueronte, a leste do Mar Morto, segundo o historiador judeu Flávio José.
Herodíades, porém, não se contentou com isso. Num dia em que Herodes festejava pomposamente o aniversário natalício, Salomé, filha de Herodía-
des, executou uma dança que muito impressionou o rei. Este, entusiasmado, prometeu dar à enteada o que lhe pedisse, ainda que fosse metade do reino. Aconselhada pela mãe, a jovem pediu a cabeça de João Batista.
Consternado com o pedido, mas não querendo voltar atrás, Herodes mandou executar João, cuja cabeça foi apresentada, numa bandeja, a Salomé, e por esta, à mãe (Marcos 6, 17-29.)
 
Celebrar S. João Batista é recordar o testemunho de vida que nos deu este homem de antes quebrar do que torcer, como hoje diríamos. Um homem de uma indesmentível firmeza de caráter, que não cedia a pressões nem recuava perante a defesa dos princípios. Não era uma cana agitada pelo vento (Mateus 11, 7).
Um homem cuja austeridade de vida é um alerta a que nos não deixemos levar pela sociedade de consumo, onde o que se procura é o ter, o prazer e o poder.
Um homem que vestia com a maior das simplicidades, ao contrário do que é hoje a preferência pelas roupas de marca.
Um homem que se alimentava com frugalidade, não sabendo o que eram os banquetes requintados.
Um homem que procurou levar os seus contemporâneos a reconhecerem em Jesus o Salvador. Que lembra a todos os cristãos o dever de serem evangelizadores e de colaborarem na atividade missionária da Igreja. O dever de darem o seu contributo na catequese paroquial, preparando os outros para receberem Jesus. Um homem que lembra aos pais o dever de serem, pelo exemplo e pela palavra, os primeiros catequistas dos filhos.
Um homem que se não limitou a denunciar os erros dos mais humildes mas corajosamente disse ao rei não lhe ser permitido viver em concubinato. Um homem que se não se acobardou nem branqueou  comportamentos. Um homem que não teve medo de apontar os erros dos poderosos e de dizer que os chamados crimes de colarinho branco nem por isso deixam de ser crimes.
Foi João  Batista um homem que morreu em defesa da indissolubilidade do matrimónio e da fidelidade conjugal.
Um homem que soube reconhecer a superioridade de Jesus, dizendo aos seus discípulos: é preciso que Ele cresça e eu diminua. Não sou digno de lhe desatar as correias das sandálias. Lembra-nos, assim, o dever de sabermos reconhecer a superioridade dos outros, de sabermos dar lugar a outros, de nos não agarrarmos aos cargos mas sabermos sair a tempo.
Um homem de quem, por sua vez, disse Jesus: «entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Batista» (Mateus 11, 11).
As festas que se fazem em sua honra lembram-nos a sua figura?




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