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Para que a libertação aconteça!

Diz o calendário que o verão chega por estes dias. Contudo, o tempo teima em não fazer jus à sua prometida entrada e os dias quentes parecem confinar-se a outras áreas bem distintas dos foros meteorológicos. Basta estar atento ao que se passa à nossa volta para conferir esta realidade. A ebulição que se verifica na generalidade dos trabalhadores da Função Pública e, em particular no setor da Educação, são exemplos cabais desta efervescência. No que respeita à maioria dos servidores do estado, incide sobre eles uma espécie de espada de Dâmocles pronta a desprender-se a qualquer momento; a possibilidade de despedimento, de serem postos em mobilidade especial, ou de verem os seus proventos continuamente reduzidos são ameaças que atemorizam.

J. M. Gonçalves de Oliveira
18 Jun 2013

Em relação aos professores do Ensino Público, as reformas em curso, como os agrupamentos de escolas e as alterações curriculares, colocam muitos deles na condição de excedentários com a perspetiva de terem de deixar a profissão. Acresce que sobre uns e outros paira a exigência externa (uma imposição da troika!) de passarem a ter um horário semanal de quarenta horas – mais cinco do que as atuais trinta e cinco – o que ainda agrava esta situação.
Neste prenúncio de inquietações e de incertezas, temos testemunhado comportamentos que, longe de amainarem esta situação potencialmente explosiva, têm contribuído para manter um clima de insubmissão.
Numa breve análise a algumas destas condutas, julgo que tem faltado a alguns responsáveis governamentais uma atitude proativa e de pendor pedagógico que lucidamente pudesse explicar os verdadeiros contornos das mudanças exigidas e dos limites das mesmas. Do mesmo modo, penso que alguns dirigentes sindicais, longe de pretenderem uma verdadeira negociação, não querem mais do que prolongar a situação de conflito que lhes mantenha um perturbador protagonismo, com fins bem distintos daqueles para que estão mandatados.
É neste clima de invernoso estio que cabe a cada português distinguir entre o trigo e o joio e tudo fazer para evitar que o país continue a distrair-se com certos detalhes que, em última instância, só lhe pode prolongar o atual estado de injuriosa submissão. 
Portugal precisa de se libertar do jugo estrangeiro e não pode vacilar até atingir esse fim. É tempo de todos os responsáveis políticos unirem esforços e procurarem os consensos necessários para que se possa restaurar a soberania perdida. É com agrado que acompanho o papel que o Presidente da República, Professor Cavaco Silva, tem desempenhado na prossecução desse patriótico objetivo. Ao pôr freio a alguns ziguezagues, que têm caracterizado as relações entre os partidos do Governo e o Partido Socialista, tem contribuído decisivamente para manter o clima de estabilidade que o país precisa.
Ninguém tem dúvidas da gravidade da nossa situação, por isso é preciso manter o entendimento. Em tempo de tamanho rigor, todos os contributos que possam ajudar a manter a paz e a coesão social são importantes.
Ao Governo compete decidir. Porém, não ficará molestado na sua autoridade democrática se adotar uma postura mais dialogante e mais comunicativa. Ao Partido Socialista, pelas responsabilidades havidas, pelos compromissos internacionalmente assumidos e pela legítima ambição de um dia voltar a ter de assumir o cargo de governar, compete contribuir para, sem demagogia, encontrar as soluções que mais interessem aos portugueses.
Na encruzilhada do tempo presente, com o velho continente a teimar em manter a apatia com que vai assistindo ao esmorecer de muitos povos, é urgente participar na mudança que possa ajudar a preservar o sonho de refazer a Grande Europa, como ainda há pouco vincou Jacques Delors, carismático presidente da Comissão Europeia, entre 1985 e 1995. Enquanto isso não é visível – e poderá não o vir a ser – impõe-se manter a coesão nacional e preservar a nossa identidade como nação multissecular.
Acredito que, acima de tudo, é imperioso acautelar os nossos interesses, potenciar os recursos disponíveis, diversificar os mercados e, sobretudo, manter um ajustamento com equidade e justiça à realidade que vivemos. Ninguém se deve excluir desta patriótica obrigação. Só deste modo, seremos capazes de ultrapassar os constrangimentos do presente para podermos, na hora certa, dar o nosso grito de libertação.




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